A temperatura do oceano Pacífico junto à costa da América do Norte aumentou 2,76ºC em três meses e atirou a região para uma “onda de calor marinha”, a segunda maior desde que há registos. Este é um fenómeno raro que foi identificado pela primeira vez em 1981. Ainda em 2014, uma onda de calor semelhante provocou a proliferação de algas tóxicas, matou leões marinhos, modificou os circuitos do salmão e obrigou as baleias a aproximarem-se perigosamente da costa em busca de águas mais frias.

Num comunicado publicado na sexta-feira pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), o instituto meteorológico dos Estados Unidos, a área atingida pela onda de calor já se estende desde o sul do Alasca até ao estado da Califórnia. Segundo Andrew Leising, um investigador envolvido na monitorização deste fenómeno, a onda de calor “está na trajetória para ser tão forte como o evento anterior”: “Já é um dos fenómenos mais significativos que já vimos”, conclui.

As ondas de calor marinhas são declaradas quando a temperatura da água do mar à superfície é mais elevada do que 90% das medições feitas nos cinco dias anteriores, explica o The Guardian. Em junho, os cientistas repararam numa massa oceânica mais quente do que o normal compreendida entre o Alasca, o Hawai e o sul da Califórnia. O aparecimento destes aumentos pontuais de temperatura, normalmente por causa dos ventos fracos, não costumam causar estranheza aos investigadores porque se dissipam rapidamente. Mas este fenómeno persiste há meses.

Questionada sobre se este fenómeno está a acontecer por causa do aquecimento global, Nate Mantua, outra cientista do NOAA, disse que a água do mar “passou de um pouco mais quente que a média para mais quente do que nunca, em apenas três meses”: “Não está claro para mim que exista uma ligação simples entre a persistência desse padrão climático e as mudanças climáticas de longo prazo. Pode haver. Ainda é um campo em evolução e há muitas perguntas em aberto.

Esta onda de calor marinha já provocou alterações persistentes na temperatura da água até a uma profundidade de 50 metros. Se o fenómenos persistir durante mais um ou dois anos — a última onde de calor começou em 2014 e só parou em 2016 —, as altas temperaturas vão arrastar-se para profundidades ainda maiores e ameaçar o ecossistema por completo. Segundo o NOAA espera-se “uma maior proliferação de algas nocivas que interrompeu o ciclo de reprodução dos caranguejos por meses”, “milhares de jovens leões-marinhos da Califórnia encalhados nas praias” e “vários desastres de pesca”.