A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que todos os anos se suicidem 800 mil pessoas  — o que dá uma pessoa a cada 40 segundos —, segundo os dados de 2016 divulgados esta segunda-feira, na véspera do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. O objetivo da OMS é identificar os grupos de risco para implementar medidas de prevenção eficazes.

O suicídio está entre as 20 principais causas de morte em todo o mundo — e é a segundo causa de morte para os jovens (entre os 15 e os 29 anos) —, provocando mais mortes que a malária, o cancro da mama ou mesmo as guerras e homicídios.

Enforcamento, envenenamento com pesticidas e armas de fogo estão entre os métodos mais usados para cometer suicídios. Mantendo a perspetiva de prevenção, a OMS aproveita para lançar um manual de boas práticas para os reguladores do mercado dos pesticidas. Mas ao mesmo tempo alerta para outra medidas importantes: como criar programas para os mais jovens aprenderem a lidar com situações de stress; identificar e acompanhar as pessoas em risco de suicídio; e educação para os media fazerem reportagens responsáveis sobre o problema.

Os dados da mortalidade por suicídio sublinham a importância de que é preciso uma ação urgente para prevenir o suicídio”, escrevem os autores do relatório. “O suicídio é um problema de saúde global. Todas as idades, sexos e regiões do mundo são afetados. Cada dado [no relatório] representa uma vida que foi perdida por suicídio, cada perda é uma perda a mais.”

Entre 2010 e 2016, o taxa de suicídio em termos globais (ajustada à idade) diminuiu 9,8%, com a descida mais significativa na zona oeste do Pacífico. A região das Américas, no entanto, apresentou uma subida de 6% na taxa de suicídios. A larga maioria das mortes (79%) acontece nos países com rendimentos médios ou baixos, onde vive 84% da população mundial.

A Europa (e Portugal) tem uma taxa alta de suicídio

Em Portugal, suicidaram-se 1.450 pessoas, em 2016. A taxa de suicídios por cada 100 mil habitantes, coloca Portugal (14,0) em 20.º lugar da região europeia da Organização Mundial de Saúde — que inclui não só os países europeus, mas também a Rússia, a Turquia e países da Ásia central. Com uma taxa igual a Portugal está a Islândia: a diferença é que, neste país, isso representa 47 suicídios.

Entre os países com maior taxa de suicídio está a Rússia e vários países da Europa de leste, mas França, os países nórdicos e vários países da Europa central estão próximos ou acima da média global de 10,5 suicídios por cada 100 mil habitantes.

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Em termos globais, os suicídios são 1,8 vezes mais frequentes nos homens do que nas mulheres. Em Portugal, à semelhantes dos restantes países de rendimento mais elevado, há três vezes mais homens (1.092) a cometer suicídio do que mulheres (358). Já os países de rendimentos médios ou baixos, as diferenças são menores. Os únicos países em que a taxa de suicídio é maior nas mulheres do que nos homens são Bangladesh, China, Lesoto, Marrocos e Mianmar.

A maior parte dos suicídios (52,1%) aconteceram antes dos 45 anos, em termos globais. Mas nos países de rendimentos médios e baixos, é mais frequente entre os 20 e os 30 anos, enquanto que nos países de rendimento mais alto acontece entre os 45 e os 55.

A maior parte dos adolescentes que se suicidou (90%) era de países com rendimentos médios e baixos, onde vivem cerca de 90% dos adolescentes. De facto, e segundo o relatório, o suicídio é a segunda causa de morte para jovens entre os 15 e 0s 29 anos, a seguir aos acidentes rodoviários e à frente das mortes por violência interpessoal.

A OMS recolheu dados de 183 países, ainda que apenas 80 tenham dados sistematizados. A organização destaca a importância de recolher dados por idade, sexo e método usado. “Fazê-lo fornece informação essencial para compreender o problema de maneira a que as intervenções possam ser ajustadas para satisfazer as necessidades de populações específicas”, lê-se no relatório.

Direção-Geral da Saúde contesta dados da OMS

No relatório da OMS, Portugal surge com uma taxa estimada de mortalidade de 14 por 100 mil habitantes, em 2016, mas estes dados não são coincidentes com os números oficiais já divulgados pela Direção-Geral da Saúde, com base nas tabelas oficiais do Instituto Nacional de Estatística, que indicam uma taxa significativamente mais baixa, de 9,5 por 100 mil.

Os dados da OMS, como o próprio relatório refere são baseados em estimativas, mas a DGS não consegue encontrar justificação para uma diferença tão grande, como confirmou ao Observador. A DGS já contactou a OMS a pedir a correção dos dados.

Atualizado com o pedido de refutação da DGS, às 14h20.