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Exposição interativa liga a arte aos vídeojogos no Museu de Arte e Tecnologia

Uma exposição com peças interativas resultantes da ligação entre arte contemporânea e o jogo vai desafiar o público a brincar e refletir sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade, em Lisboa.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Uma exposição com peças interativas resultantes da ligação entre arte contemporânea e o jogo, vai desafiar o público a brincar e refletir sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade, a partir de quarta-feira, em Lisboa.

A mostra coletiva – intitulada “Playmode” – foi esta terça-feira apresentada aos jornalistas, numa visita guiada no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, com a presença de artistas e curadores portugueses e estrangeiros.

De acordo com os curadores Filipe Pais e Patrícia Gouveia, esta exposição visa apresentar obras de artistas que refletem sobre os conceitos da cultura digital e os novos media, através de esculturas e vídeo instalações, uma parte delas interativa. “O sistema capitalista usa cada vez mais o jogo como forma de criar dependência de produtos e novas técnicas”, comentou Filipe Pais sobre este conceito presente nestas obras, que, assinalou, no entanto “não é novo”. O curador recordou que “já os artistas dadaístas e surrealistas usavam muito o conceito de jogo nas obras de arte que criavam”.

No percurso, em que surgem obras inspiradas em vídeo jogos – cada vez mais usados por jovens e adultos em todo o mundo – os curadores lançaram a ideia de que poderão ser a nova arte do século XXI. “Esta exposição está preparada para ser interativa, e daí o seu conteúdo, para ser usado pelo visitante, que é chamado a participar nela”, disse Patrícia Gouveia.

Em três salas foram instaladas obras de artistas como Pippin Barr (Nova Zelândia), Lucas Pope (Estados Unidos), Auriea Harvey e Michael Samyn (Bélgica), e também portugueses como Ana Vieira, de quem é apresentada a peça intitulada “O desenho da menina a fugir do seu suporte” (2014), uma animação em 2D projetada nas paredes.

No espaço expositivo, o coletivo CADA, composto por Sofia Oliveira e Jared Hawkey, criado em Lisboa, em 2007, explicou a sua peça aos jornalistas: a instalação “Closer”, de “som urbano”, que também é influenciada pela presença dos visitantes. “Nós temos vivido fascinados e horrorizados pela tecnologia”, disse a artista Sofia Oliveira, acrescentando que este universo “causa, ao mesmo tempo, fascínio e ansiedade pela forma como afeta a sociedade e a vida das pessoas”.

Por seu turno, o coletivo português Os Espacialistas estava a concluir, no MAAT, uma instalação que consiste numa casa para montar com tijolos feitos com os orifícios do jogo dominó. Nas obras destes artistas, o jogo é integrado com propósitos distintos, desde a evasão à realidade, construção e transformação social, subversão ou crítica dos próprios mecanismos de brincadeira, que estão na sua base.

Estão também representados nesta mostra, entre outros, os artistas individuais ou coletivos The Pixel Hunt, Aram Bartholl, Gabriel Orozco, Priscila Fernandes, !Mediengruppe Bitnik, Mary Flanagan, Harun Farocki, Molleindustria, Samuel Bianchini, Eva e Franco Mattes, Joseph DeLappe, Brent Watanabe, Filipe Vilas-Boas, André Gonçalves, Isamu Noguchi e David OReilly.

Na quarta-feira, o MAAT irá expor a instalação inédita do artista egípcio Basim Magdy, com curadoria de Inês Grosso e Irene Campolmi, que também ficará patente até 17 de fevereiro de 2020, sendo a primeira mostra individual do artista em Portugal, e o primeiro projeto especificamente concebido para o espaço Video Room do MAAT.

Para este projeto, intitulado “M.A.G.N.E.T”, o artista egípcio, nascido em 1977, em Assiut, filmou em diversos locais, incluindo a zona dos petróglifos de Foz Côa e o Cromeleque dos Almendres, perto de Évora, em Portugal, na cratera vulcânica na ilha de Nisyros, na Grécia, assim como num laboratório de robótica em Manchester, no Reino Unido.

Comissionado pelo MAAT, o filme apresenta um cenário hipotético de factos inegáveis ocultados durante séculos por teorias da conspiração e por uma possível interpretação errada da história. “Esta ficção parte da ideia do que aconteceria se a gravidade terrestre estivesse a aumentar gradualmente, e de como as comunidades em todo o mundo reagiriam”, explicou Basim Magdy.

A instalação, projetada em quatro ecrãs, mostra os locais onde filmou e sugere o que poderia acontecer, no caso da gravidade aumentar, dando, entre outros exemplos, como o deixar cair uma moeda num pé poderia ferir gravemente uma pessoa.

O artista trabalhado no limiar de narrativas ficcionais e historiográficas, e a sua prática artística “equaciona questões sociais e políticas de forma crítica e quimérica, dando lugar a interpretações diversas, um tanto psicadélicas, do passado, do presente e do futuro.

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