Rádio Observador

Fotografia

Morreu Robert Frank, o fotógrafo que transformou o quotidiano numa obra de arte

125

Nome de referência da fotografia documental, foi o autor de umas das obras mais importantes na história da fotografia, "The Americans". Tinha 94 anos.

Em 1959, publicou o mítico livro "The Americans"

DR

Autor
  • Bruno Horta

Morreu na segunda-feira, aos 94 anos, o lendário fotógrafo e realizador Robert Frank, um dos nomes mais influentes da fotografia no século XX, considerado o pai da “estética do instantâneo” e autor do livro de referência The Americans. A notícia foi divulgada pela imprensa americana nesta terça-feira e confirmada pela Galeria Pace-MacGill, de Nova Iorque, que representa o artista desde 1983.

Filho de Regina e Hermann Frank, ambos judeus, Robert Louis Frank nasceu em Zurique, na Suíça, em 9 de novembro de 1924, e iniciou-se como aprendiz de fotografia em 1941. Menos de duas décadas depois inscreveu o nome na história visual do século XX, ao publicar The Americans. Com uma carreira construía à margem de convenções e em rejeição das ideias de fama e fortuna, assinou séries fotográficas inclassificáveis, marcadas pela linguagem experimental e pelo corte com os cânones. O livro de 1938 American Photographs, de Walker Evans, terá influenciado Frank na sua própria monografia.

View this post on Instagram

These book spreads are from Robert Frank’s “The Americans“, first published in 1958. Due to the 50th anniversary, this book was reprinted in 2008 with new tri-tone scans of the original prints. It was said that Frank himself approved of every single page as well as re-cropped many of the photographs to showcase more of the frame than ever before. This is one of the books that was set to change the course of twentieth-century photography forever with only 83 photographs. The influence of this publication in my opinion comes from its radical difference in terms of both aesthetics and subject matter. Frank does not confirm so tightly to classical compositions, and, thus, questions the former rules established in photography. He, for example, dares to produce unsharp photographs, seemingly shot from the hip, not even looking through the viewfinder. This stands in radical contrast to the more fine art photography of the mid twentieth-century. In terms of subject matter, he achieves to find the often quoted beauty of the ordinary, simple, and often overlooked things. For him, they all seem equivalent in terms of their power to portray America. As a consequence, even the mundane subjects turn into icons of America. By mixing these kind of photographs with unique human moments/situations, he achieves an almost intuitively seeming sequence of imagery. Due to this innovativeness, “The Americans“ has become one of the most influential and decisive works published during the last century. #wasteoffilm #robertfrank #theamericans #steidl #photobook #photobookjousting #buybooksnotgear #america #blackandwhite #shootfilm #35mm

A post shared by Tim Heubeck (@wasteoffilm) on

Robert Frank, que atualmente vivia na Nova Escócia, Canadá, emigrou para os EUA em 1947, à procura de alargar horizontes, e começou por trabalhar como fotógrafo de moda da revista “Harper’s Bazaar”. Em 1955, com uma bolsa da Fundação John Simon Guggenheim, iniciou uma longa viagem de dois anos pelos EUA, durante a qual terá captado mais de 28 mil imagens, de acordo com dados biográficos publicados pela Galeria Pace-MacGill. Dessas 28 mil imagens, a preto e branco, 83 viriam a ser escolhidas para a monografia “The Americans”, que conheceu uma primeira edição em França, em 1958, sob o título Les Americains, com textos de outros autores. Um segunda edição apareceu nos EUA no ano seguinte, apenas com as imagens.

O livro fixou uma versão crua da América e influenciou gerações de fotojornalistas e artistas visuais em todo o mundo, ao “desafiar a fórmula vigente no fotojornalismo de meados do século, a qual se definia por imagens bem focadas, bem iluminadas e com composição clássica”, escreveu o New York Times. As fotos de Robert Frank, onde figuravam pessoas sozinhas, casais adolescentes ou funerais, era “cinemáticas, imediatas, desfocadas, com grão, tal como as emissões televisivas daquele tempo”. Daí que o tenham considerado o pai da “estética do instantâneo”, que pode ser descrita como a captação imediata de imagens, sem encenação, o que lhes dava uma autenticidade rara até então.

Em 2016, protagonizou o documentário “Don’t Blink – Robert Frank” (2016), da realizadora Laura Israel.

[trailer de “Don’t Blink — Robert Frank”]

Com “The Americans”, Robert Frank foi “catapultado para uma posição cultural influente” e “tornou-se porta-voz de uma geração de artistas visuais, músicos e figuras literárias, tanto nos EUA como no estrangeiro”, descreve a nota biográfica da galeria. “Recebeu críticas pela heterodoxia da composição, da iluminação e do foco”, mas entre os seus defensores contaram-se os escritores da geração beatnik Jack Kerouac e Allen Ginsberg.

Estendeu o seu trabalho ao cinema, tendo assinado filmes experimentais, como “Pull My Daisy” (1959), em colaboração com Kerouac, ou o documentário “Cocksucker Blues”, sobre a digressão americana dos Rolling Stones em 1972. Em 1960, fundou o New American Cinema Group, ao lado de Jonas Mekas, Peter Bogdanovich e outros cineastas independentes. Em 1988, realizou “Candy Mountain”, uma obra de traços autobiográficos, com Tom Waits num dos papéis.

Robert Frank casou-se duas vezes: em 1950, com a artista britânica Mary Frank, e em 1971, com a artista americana June Leaf. Teve dois filhos, Andrea, que morreu em 1974, e Pablo, que morreu em 1994.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
História

O azar do museu Salazar /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

A ignorância e o fanatismo, que estão na origem dos totalitarismos, combatem-se com a verdade e o conhecimento. A ditadura não se vence com a ignorância, mas com a ciência.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)