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Terror: o MOTELX 2019 em sete escolhas arrepiantes

Eurico de Barros acolhe a 13ª edição do MOTELX com uma selecção de sete filmes, de onde sobressai o sensacional "Midsommar - O Ritual", de Ari Aster, que estará presente no festival para uma palestra.

Florence Pugh em "Midsommar - O Ritual": terror à luz do dia no interior da idílica Suécia, ou a tradição pagã nórdica ainda é o que era

Autor
  • Eurico de Barros
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O MOTELX — Festival Internacional de Cinema de Lisboa apresenta a sua 13ª edição, entre esta terça-feira e dia 15. Além das já habituais secções, o festival assinala os seus 13 anos de vida com uma projeção especial de “Sexta-Feira 13”, de Sean S. Cunningham, na sexta, dia 13, às 00.25 no Cinema São Jorge — Sala 3. Os 40 anos de “Alien — O 8º Passageiro”, de Ridley Scott, também não são esquecidos, com a exibição de uma versão remasterizada, no dia 15, às 15.00, no Cinema São Jorge — Sala Manoel de Oliveira, complementada pelo documentário “Memory: The Origins of Alien”, do suíço Alexandre O. Philippe (Dia 14, Cinema São Jorge-Sala 3, 14.35). E os 60 anos do inenarrável “Plan 9 From Outer Space”, de Ed Wood, talvez o pior filme de todos os tempos, merecem uma sessão especial, dia 14, no Cinema São Jorge-Sala 2, às 21.00, que será comentada ao vivo por Rui Alves de Sousa, seguida de uma conversa com os convidados Rui Zink, Susana Romana e Tiago R. Santos. Aqui ficam sete escolhas para o 13º MOTELX.

“Midsommar — O Ritual”

De AriAster

A segunda obra do realizador de “Hereditário” é um filme de terror pagão (ou “folk horror”) com combustível alucinógeno e todo passado em plena luz do dia. Um casal de namorados (Florence Pugh e Jack Reynor) tem a relação em crise e a rapariga acabou de sofrer uma tragédia familiar. Por isso, rumam ao odílico interior da Suécia com alguns amigos, para assistirem a um festival do Solstício de Verão numa remota comunidade rural. E aí vão conhecer o que é o horror de rosto humano sob o sol da meia-noite. “Midsommar — O Ritual” pede meças a outros grandes filmes deste subgénero, como “O Sacrifício”, de Robin Hardy, “Blood on Satan’s Claw”, de Piers Haggard, e “Uma Lista a Abater”, de Ben Wheatley. Ari Aster estará no dia 15, na Sala 2 do Cinema São Jorge, às 17.30, para falar sobre o tema “Folk Horror and New Folk Horror”. (Dia 13, Cinema São Jorge — Sala Manoel de Oliveira, 21.00)

Necronomicon

De Jesús Franco

E vamos ao cantinho das curiosidades. Também conhecido como “Succubus” e parcialmente rodado em Portugal, em 1968, por Jesús “Jesse” Franco, o mestre espanhol das séries B a Z, este filme é um “thriller” erótico e de terror tipicamente de “sexploitation”, sobre uma “stripper” (a ex-modelo francesa Janine Reynaud) envolvida num enredo policial de conotações sadomasoquistas, que também mete sequências oníricas, orgias e anões. O português Américo Coimbra tem uma curta participação e Karl Lagerfeld, o futuro “monstro” da alta costura mundial, surge discretamente na ficha técnica de “Necronomicon” como responsável pelo guarda-roupa. (Dia 13, Cinema São Jorge-Sala 3, 19.00)

“Bacurau”

De Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho

Partilhando desta vez a realização com Juliano Dornelles, o autor de “O Som ao Redor” e “Aquarius” centra a história deste filme na remota vila de Bacurau, situada a oeste de Pernambuco, aonde chega a protagonista, Teresa, para assistir ao funeral da avó, a matriarca local. Teresa percebe rapidamente que Bacurau está em muito mau estado e tudo no local parece ou falhar, ou estar a faltar, e poucos dias depois, os habitantes percebem que a sua comunidade desapareceu da maioria dos mapas. Misto de alegoria política, drama, “western sertanejo”, terror e ficção científica, Bacurau é interpretado por Bárbara Colen, Sónia Braga e Udo Kier, e ganhou o Prémio do Júri no Festival de Cannes. (Dia 10, Cinema São Jorge-Sala 3, 21.20)

“Faz-me Companhia”

De Gonçalo Almeida

O português Gonçalo Almeida ganhou em 2017 o Prémio MOTELX para curtas-metragens com “Thursday Night”, e regressa este ano ao festival com o mais ambicioso “Faz-me Companhia”, que está na competição pelo Prémio Méliès para Melhor Longa-Metragem de Terror Europeia. Cleia Almeida e Filipa Areosa são as intérpretes de “Faz-me Companhia”, onde uma rapariga aluga uma casa no sul de Portugal para passar o fim-de-semana perfeito com a sua namorada secreta. Só que começam a dar-se estranhos acontecimentos na casa, que irão perturbar a relação entre as duas mulheres. (Dia 14, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 18.30)

“The Gangster, the Cop, the Devil”

De Lee Won-tae

É na Coreia do Sul que se faz atualmente algum do melhor cinema fantástico, de terror e policial do mundo, e não podia faltar um filme sul-coreano na programação do MOTELX. Em “The Gangster, the Cop, the Devil”, Jung, detetive da polícia de Seul, crê que há uma assassino em série à solta na cidade, mas não tem provas suficientes para convencer o seu chefe disso. Para resolver o caso, Jung vai aliar-se com um poderoso “gangster” local, Jang, que foi atacado pelo criminoso e conseguiu escapar. Mas será que polícia e bandido vão conseguir triunfar sobre um inimigo que mais parece ser o Diabo? (Dia 10, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 00.00)

“Rabid”

De Jen e SylviaSoska

É um risco, diria mesmo uma temeridade, rodar um “remake” de um filme de um realizador como David Cronenberg. Mas foi o que as gémeas canadianas Jen e Sylvia Soska fizeram neste “Rabid”, uma nova versão do “shocker” homónimo de 1977 interpretado pela atriz porno Marilyn Chambers (“Por Detrás da Porta Verde”) e que em Portugal se chamou “Coma Profundo”. Uma rapariga que sonha ser estilista fica horrivelmente desfigurada num acidente. Recorre então a um novo tratamento médico, que se revela ser pouco menos que milagroso. O problema são os tremendos efeitos secundários que acabam por se manifestar. (Dia 14, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 00.10)

“The Hole in the Ground”

De LeeCronin

O argumentista e realizador irlandês Lee Cronin estreia-se a rodar longas-metragens com esta fita de terror passado no campo. Sarah, uma jovem mãe em fuga de um passado traumático na companhia do filho pequeno, instala-se numa casa rural, perto de uma vilazinha. Pouco a pouco, o comportamento do menino começa a modificar-se, tornando-se muito perturbador, e Sarah pensa que o facto possa ter a ver com o aparecimento de um misterioso buraco na floresta próxima da sua nova casa. Cronin recebeu em 2014 o Méliès d’Argent da Melhor Curta-Metragem de Terror com “Ghost Train”. (Dia 12, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 00.00)

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