O partido de extrema-direita Vox levou ao Congresso espanhol uma proposta que visa a construção de um muro de “espessura, resistência e altura que a torne impenetrável e intransitável” na fronteira de Ceuta e Melilla com Marrocos. Segundo o diário espanhol El País, esta força política apenas recuou na exigência de que fosse Rabat a pagar a construção, pormenor que o seu líder, Santiago Abascal, chegou a sugerir (à semelhança do que Donald Trump quer fazer com o México). Em vez disso propõem que seja Espanha a financiar — mas com recurso a fundos da União Europeia.

Javier Ortega Smith, o secretário-geral do Vox, e Iván Espinosa de los Monteros, o seu porta-voz no parlamento, argumentaram que as atuais barreiras já demonstraram ser ineficientes e os seus arames farpados (que o Governo já se comprometeu em retirar) só servem como desculpa para as ONGs denunciarem falta de humanidade e desrespeito para com os direitos humanos.  O próprio Ortega afirma que a maioria dos imigrantes ilegais não saltam essa barreira mas fazem, sim, buracos nos gradeamentos para poderem passar, daí a sugestão de um muro de cimento que seria intransponível.

A medida sugerida pelo Vox inclui, ainda, toda uma bateria de medidas anti-imigração ilegal como a rápida deportação de imigrantes não autorizados, o reforço de efetivos humanos e materiais — além de uma maior proteção legal das Forças de Segurança do Estado.

O grupo de Abascal também clama pela participação do Exército no controlo da fronteira com Marrocos, mediante a colaboração dos seus serviços de informação, vigilância eletrónica e o apoio logístico/sanitário. O destacamento de militares não é uma novidade porque em 2005, por exemplo, já houve patrulhas feitas pelo exército na mesma área limítrofe de Ceuta e Melilla. Essa mesma utilização, na altura, foi considerada ineficaz porque essas unidades militares não tinham autoridade suficiente para fazer mais do que avisar a Guardia Civil, caso identificassem alguma violação.

Os responsáveis do Vox não negam que o número de imigrantes ilegais a entrar no país tenha diminuído (o El País refere que nos oito primeiros meses de 2019 se registou uma diminuição de 45,2% face ao período homólogo) mas defendem que “não se pode admitir a passagem ilegal nem de um” imigrante.

Questionados sobre a acusação de que o magnata George Soros estaria por trás da ONG Open Arms (que foi lançada por Abascal em pleno Congresso), os deputados do Vox limitaram-se a referir que as conexões “são mais que evidentes” e que têm confiança de que a sua denuncia junto da Fiscalia (autoridade fiscal espanhola) servirá para o comprovar.