Ser líder do FMI ou governador do Banco de Portugal é uma pergunta da qual Mário Centeno, ministro das Finanças, subtilmente se afastou no programa da TSF, “Bloco Central”.

“Não houve nem polémica nem candidatura. A única coisa que eu fiz foi: perante uma pergunta sobre qualificações, respondi naturalmente, comparando a importância do cargo do Banco de Portugal com o do diretor-geral do FMI. É só isso, não tem rigorosamente mais informação nenhuma”, declarou.

“Às vezes há uma certa sanha interpretativa daquilo que se diz e se responde”, lamentou. “Era absolutamente natural que essa avaliação fosse feita perante a pergunta que me foi colocada. Não há polémica nem candidatura”, reforçou. E prosseguiu:

“Se eu me vejo com perfil para ser governador do Banco de Portugal? Se houver um perfil de um governador do Banco de Portugal é mais ou menos a mesma coisa do que ser diretor geral do FMI, do ponto de vista das qualificações, e, portanto, não vejo onde pudesse estar aí uma dificuldade”.

Já sobre uma possível maioria absoluta dos socialistas, o político assume que “há objetivos que são mais fáceis de atingir” se for esse o resultado em outubro. Contudo, diz também que o partido “demonstrou nesta legislatura” que não é preciso maioria para governar, apesar de algumas das “reformas necessárias” não poderem ser feitas em coligação.

Não quer dizer que governar só se consiga com maioria absoluta, aliás mostrámos nesta legislatura que não”, disse.

Como questões importantes que o governo não conseguiu resolver em tempo oportuno por estar dependente da maioria, Centeno refere a “descentralização e, se calhar ainda mais importante, a questão da floresta”.

Para o ministro das Finanças, os perigos para a economia portuguesa já não são “o diabo” e são diferentes de 2008. O responsável pela contas do executivo enumera três riscos externos: “Brexit, tensões comerciais e Alemanha”, e põe o foco em especial na saída do Reino Unido da União Europeia.

[Riscos externos para a economia portuguesa] Dois são totalmente políticos: guerras comerciais e Brexit. Outro é meio político, porque a Alemanha tem todos os instrumentos disponíveis para poder responder a essa desaceleração. O Brexit não é um assunto novo, algumas das consequências já se notam”

Relativamente aos próximos anos, e ao que esperar caso o PS volte a ser responsável pelo Governo, Centeno diz: “Tenho o objetivo de terminar o mandato como presidente do Eurogrupo”. Além disso, “o foco essencial é nas eleições”, e promete: “O meu compromisso é com aquilo que é o programa eleitoral e a avaliação dos últimos 4 anos, sou candidato de novo a deputado”.

A questão surgiu devido às afirmações de Marques Mendes deste domingo. O antigo líder social-democrata disse: “Há duas certezas e uma dúvida que posso deixar aos ouvintes, segundo as investigações que fiz e as informações que obtive. A primeira certeza é que, se o PS ganhar, Centeno fica mesmo no Governo. A segunda certeza é que não ficará no mandato inteiro. A dúvida é se sairá em 2020 para ser governador do Banco de Portugal ou se sairá em 2021 para um cargo internacional”.

Relativamente a esta hipótese lançada pelo comentador, apenas referiu que, se houver um perfil para governador do Banco Portugal, é “mais ou menos a mesma coisa como ser diretor-geral do FMI”, esquivando-se a uma resposta de “uma lista de empregos” futuros a enumerar.

No programa “Bloco Central”, que vai para o ar ao final da tarde desta sexta-feira, ainda houve tempo para falar do cargo que ocupa como líder do Eurogrupo. A “palavra impostos perturba muito o debate”, assume.