Jorge Jesus não entrou propriamente de forma discreta no Flamengo, como se percebeu logo na longa conferência quando foi apresentado no clube do Rio de Janeiro e nos primeiros treinos no Ninho do Urubu – onde cada um daqueles típicos “raspanetes” parecia ser uma espécie de atestado de competência ao técnico português. Com os jogos oficiais nem tudo foram facilidades de forma imediata, a equipa chegou a ser muito contestada por dezenas de adeptos no aeroporto após a eliminação da Taça do Brasil nas grandes penalidades frente ao Athl. Paranaense, mas com o tempo entrou nos eixos. E se Jesus não tinha sido propriamente discreto, agora tornou-se de forma inevitável um dos centros de atenção do Campeonato brasileiro.

Numa altura em que o Flamengo alcançou o recorde de sócios-torcedores, um programa lançado em 2014 mas que só agora foi capaz de atingir a fasquia dos 129.601 pagantes, e na semana em que se ficou a saber que o conjunto rubro-negro foi o clube mais comentado no Twitter entre janeiro e agosto (à frente de colossos mundiais como Real Madrid, Barcelona ou Manchester United), o antigo treinador de Benfica e Sporting antes de rumar ao Al-Hilal é cada vez mais personagem principal e ainda este sábado deu uma entrevista à Folha de São Paulo. Mais do que isso, o que o português é comentado por todos, desde técnicos adversários a analistas televisivos. Também nos encontros, tudo o que faz vai sendo seguido ao detalhe. E o que disse no passado.

Aproveitando a célebre frase da PlayStation quando era ainda treinador do Sp. Braga e jogou na Luz, o Globoesporte lançou o jogo grande da 19.ª jornada com um jogo de PES 2020. O resultado, esse, não podia ser mais expressivo: 4-1 para o Flamengo frente ao Santos, com bis de Gabriel Barbosa e Éverton Ribeiro. Na vida real, como já era expectável, a partida foi bem mais equilibrada mas acabou com o triunfo do português num duelo de “gringos” frente ao argentino Jorge Sampaoli, antigo líder da prova após a queda a pique do campeão Palmeiras que motivou mesmo a saída de Luiz Felipe Scolari do comando técnico.

No entanto, esta acabou por ser também uma noite de extremos para Jorge Jesus: no início, o técnico foi muito elogiado pela forma como cumprimentou de forma inevitável com muitos sorrisos e festas na cabeça os miúdos que se encontravam no túnel de acesso ao relvado de flor na mão para subirem com os jogadores na entrada das equipas; ao intervalo, Jorge, o antigo lateral do FC Porto que foi emprestado pelo Mónaco e já entrou nas contas de Tite para a seleção, acusou aos microfones da Premiere o português de ter dado uma “tapa” na cara, num gesto que o jogador do Santos, que ainda foi travado por Diego Alves, interpretou de forma negativa até entrarem no túnel para os balneários e sanarem a questão de forma amistosa.

Sobre o jogo em si, o suspeito do costume: Gabriel Barbosa, ou Gabigol, marcou pela nona jornada seguida do Campeonato (e que golo fabuloso, num chapéu, aos 44′) e decidiu o encontro que fechou a primeira volta da competição com o Flamengo a cavar um fosso de cinco pontos na liderança para o Santos, naquela que foi a sexta vitória consecutiva desde o inesperado desaire com o Bahia e que teve pelo meio a qualificação para a meia-final da Taça dos Libertadores frente ao Grémio, numa façanha histórica que o clube do Rio de Janeiro não conseguia alcançar há 35 anos. E entre um amarelo no banco a Jesus por protestos, ainda houve um momento de génio de Éverton Ribeiro que fez um túnel sem sequer tocar na bola antes do “olê olê olê olê olê… mister… mister” no Maracanã dos adeptos cariocas que voltaram a gritar a música “seremos campeões”.