O comité legislativo dos Estados Unidos pediu ao Facebook, à Amazon, à Apple e à Google para enviarem documentos internos que serão usados numa investigação relacionada com suspeitas de concorrência desleal e abuso de posição dominante, está a noticiar o The Guardian. Inicialmente, a investigação era dirigida exclusivamente ao Facebook e à Google, embora em processos separados, mas está a ser alargada às outras grandes empresas da indústria tecnológica.

As requisições foram enviadas na última sexta-feira em cartas dirigidas ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, ao chefe executivo da Apple, Tim Cook, ao cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e aos três nomes pesados da Google — Larry Page, Sergey Brin e Eric Schmidt. Os documentos devem esclarecer o comité sobre como é que as empresas construíram os negócios, como gerem os resultados que surgem nas pesquisas dos utilizadores e como é que as outras companhias interagem com esses serviços.

A carta indica também que as quatro empresas têm até 14 de outubro para reunir todos os documentos e enviá-los ao comité legislativo que se está a dedicar às investigações. De acordo com Jerrold Nadler, líder da comissão, a investigação foi lançada porque “há evidências cada vez maiores de que um punhado de empresas conseguiu capturar uma fatia enorme do comércio e das comunicações online“.

Em resposta ao The Guardian, todas as empresas dizem-se prontas para “cooperar totalmente” com a investigação sobre elas. E não só nesta, mas também na que está a ser feita pela Federal Trade Commission, uma agência independente de proteção do consumidor e combate à concorrência desleal.

Doug Collins, outro membro do comité, espera que a investigação torne os mercados digitais mais justos: “Estas informações são essenciais para ajudar a determinar se um comportamento anti-concorrencial está a ser posto em prática, se nossas agências contra a concorrência desleal devem investigar questões específicas e se as nossas leis contra esses crimes precisam ou não de melhorias para promover melhor a concorrência nos mercados digitais”.

Este tipo de investigações serve para impedir que as empresas tenham um domínio tão grande de um determinado mercado que nenhuma outra pode concorrer com ela

Neste caso, o comité legislativo quis saber “se o Facebook sufocou a competição e colocou os utilizadores em risco”, comprando empresas tecnológicas mais pequenas que se podiam tornar concorrentes ou copiando características de aplicações rivais. Além disso, o comité esperar apurar “se os atos do Facebook podem ter colocado em risco os dados dos consumidores, se diminuiu a qualidade das escolhas possíveis ou se aumentou o preço da publicidade”.

A 6 de setembro, quando a investigação ao Facebook foi tornada pública, soube-se que a Google também seria alvo de escrutínio a partir da segunda-feira seguinte. Nesse caso, os olhos dos reguladores iam concentrar-se na Alphabet (casa mãe da Google) para apurar o impacto da empresa no mercado da publicidade digital e que influência teve nos consumidores.