O Programa de Ciência e Segurança Global (SGS, na sigla inglesa) da Universidade de Princeton fez uma simulação daquilo que seria uma guerra moderna entre a Rússia e os Estados Unidos e concluiu que, nas primeiras horas do conflito, o número de mortos e feridos seria superior a 90 milhões. No site oficial do SGS, os autores da simulação explicam que utilizaram dados oficiais e estimativas realistas.

“(Usámos) dados exaustivos das armas nucleares em bases no estrangeiro, a quantidade de energia libertada durante a explosão e possíveis alvos para certas armas”, explicam Alex Glaser, Moritz Kütt, Tamara Patton e Alex Wellerstein. Da mesma forma, o estudo também teve em conta “a ordem (cronológica) da guerra”, a ordem pela qual as armas seriam utilizadas e em que fase, para “mostrar a evolução do conflito nuclear desde tático, para estratégico, até às fases em que as cidades se tornariam os alvos”.

Este projeto é baseado na necessidade de destacar as consequências potencialmente catastróficas dos planos de guerra nuclear dos Estados Unidos e da Rússia. O risco de guerra nuclear aumentou drasticamente nos últimos dois anos, com os Estados Unidos e a Rússia a deixarem os acordos de controlo de armas e a começarem a desenvolver novos tipos de armas nucleares”, justificam ainda os autores.

O número de feridos e vítimas mortais foi calculado através do NUKEMAP, uma plataforma online que simula os danos de vários tipos de bombas conforme a cidade escolhida para a detonação. “As estimativas de vítimas mortais resultam das mortes imediatas das explosões nucleares e o número seria muito maior com o material radioativo e outros efeitos a longo prazo”, acrescenta a publicação.

Eis a explicação visual em quatro minutos da hipotética guerra nuclear entre Estados Unidos e Rússia do SGS:

O vídeo começa com uma guerra que os autores descrevem como “convencional” e passa, depois, para um conflito nuclear. Face a um possível avanço conjunto dos EUA com a NATO, a Rússia antecipa-se e realiza um tiro de aviso. A NATO retaliaria com um ataque aéreo tático.

A Europa seria o palco desta guerra, com a Rússia a enviar 300 ogivas nucleares e mísseis de curto alcance para atacar bases da NATO. A NATO responde com 180 ogivas. Em três horas, já haveria registo de 3,6 milhões de vítimas.

Por esta fase, a Europa já estaria destruída. A NATO iria, ainda, enviar um novo ataque a partir de solo norte-americano. Ao temer a perda dos sistemas de armamento, a Rússia retalia com o lançamento de mais mísseis. Número de vítimas? 3,4 milhões em pouco mais de 45 minutos.

Eis o plano final: a NATO e a Rússia vão procurar atacar as 30 maiores cidades e centros económicos de cada lado. Para tal, usariam entre cinco a dez ogivas em cada cidade. Estes ataques causariam mais de 85 milhões de vítimas.

Resultado final do conflito: 34,1 milhões de mortos e 57,4 milhões de feridos.

O lema do SGS é “construir um mundo mais seguro e mais pacífico” e o programa fundado em 1974 dedica-se à análise técnica e científica de políticas internacionais para, precisamente, contribuir para um planeta seguro.