O voleibol é sobretudo o momento. A capacidade física, a força mental e o momento. Depois de três derrotas a abrir o Europeu frente a equipas claramente superiores (Itália, Bulgária e França), Portugal sabia que tinha chegado o seu momento. E dentro desse momento, o jogo com a Grécia, houve um outro momento que fez toda a diferença: a entrada de João Simões em campo, jogador que fez a diferença na rotação do seu serviço para mudar por completo o rumo do encontro. Foi assim que a Seleção Nacional venceu os helénicos por 3-1, foi assim que a Seleção Nacional ficou mais perto dos oitavos.

No entanto, o início teve uma equipa portuguesa que passou ao lado do jogo mesmo perante uma Grécia que ao arriscar bastante no serviço, deu várias bolas “de borla” ao conjunto de Hugo Silva. “Então mas como é? Temos de aproveitar…”, foi atirando o técnico Hugo Silva entre algumas palavras de incentivo mas menos pronunciáveis durante os descontos de tempo que pouco ou nada mudaram num set que terminaria com o triunfo helénico por 25-19 perante o nível mais baixo do que é normal da receção e do ataque nacionais, sobretudo após as boas indicações deixadas no jogo com a Bulgária e no último set com a França.

A reação não foi imediata e o segundo parcial voltou a ter uma vantagem prometedora da Grécia no arranque (9-3) mas, com uma redução gradual desse fosso, a rotação no serviço de João Simões, o melhor no encontro pela importância que assumiu depois de entrar em campo, acabou por fazer toda a diferença: Portugal passou para a frente do marcador, chegou mesmo a um avanço de três pontos e acabou por fechar com 25-21 perante a quebra anímica do adversário apesar das pausas técnicas.

Esse momento acabou por ser bem mais do que uma viragem no set – acabou por mudar por completo a partida. Até porque, além desse bom rendimento de João Simões e do distribuidor Tiago Violas (que fechou a vitória no terceiro parcial com um soberbo ponto ao segundo toque), Alexandre e Marco Ferreira voltaram ao nível habitual em termos ofensivos, Cveticanin teve outra preponderância no bloco e Fidalgo estabilizou a receção. Apesar de ainda ter equilibrado o jogo em alguns momentos, a Grécia não mais apresentou argumentos para travar Portugal, que encerraria o encontro com 25-23 e 25-17.

Com este triunfo, e num momento onde Itália, França e Bulgária já estão apuradas para fase seguinte (faltando apenas saber os lugares em que cada uma termina o grupo), Portugal deu um passo muito importante para conseguir a quarta posição e respetiva passagem aos oitavos do Europeu, algo que poderá ficar confirmado esta quarta-feira com a Roménia (13h) que perdeu os quatro encontros realizados até ao momento, incluindo o duelo mais “direto” contra a Grécia (3-1).