Um bairro da zona industrial de Kawasaki, no sul de Tóquio, serve de morada à Brilliant Exhaust, uma micro-empresa japonesa que se dedica artesanalmente à concepção, transformação e afinação de sistemas de escape. O negócio, em que tantas outras empresas operam, está praticamente relegado à inexistência online. E só assim não é porque Sakasi-san, o homem por detrás da Brilliant Exhaust, capitulou e acabou por dedicar-lhe algum espaço no Instagram. Ainda assim, para que a mestria do seu trabalho corresse o mundo, foi necessário que os clientes partilhassem no YouTube a “loucura” que é a transformação da sonoridade de um carro, depois de passar vários meses no atelier do mestre. O mais recente episódio dessa saga conta com mais de 2 milhões de visualizações e mostra como o “mágico” consegue colocar um vestuto Mercedes a roncar como um vigoroso Fórmula 1.

O modelo em causa é um S 600 W140, pertença de um youtuber, que não se importou de despender uma quantia proibitiva (atendendo ao actual valor comercial do Mercedes) para poder circular e divertir-se pelas avenidas e túneis de Tóquio com a sonoridade de um F1 – mas dos tempos em que a disciplina máxima do desporto automóvel ainda deliciava o público com o “cantar” dos V10.

O S 600 monta um motor de 6,0 litros que, tal como originalmente configurado, debita 394 cv na maior das discrições. Contudo, depois de passar pelo tuning do mago Sakasi-san, é impossível deixar de ouvi-lo sem ficar com a ideia de que estamos num qualquer circuito de Grande Prémio.

O prémio por essa radical transformação é que não é barato: 12 mil dólares, ou seja, mais de 10.800€. Nada que afaste a clientela, pois do currículo da Brilliant Exhaust consta que já deu voz a Ferrari, Lamborghini, Maserati, Audi, Aston Martin e BMW, entre muitas outras.  E, claro, Mercedes. Foi, aliás, com um S600 W220 que começou a aventura de Sasaki-san, privilegiando o método tentativa-erro até que o seu trabalho lhe soasse a música para os ouvidos.

O japonês, algures enquadrável entre as figuras de engenheiro, compositor ou simplesmente “louco”, assume que prefere trabalhar com V12, porque lhe soam melhor. Mas, pela quantia certa, deita mãos à obra e “afina” carros com 6, 8 ou 10 cilindros.