Durante o Campeonato do Mundo, antes e depois de jogos contra algumas das principais seleções presentes na Rússia em 2018 como Portugal ou Espanha, Carlos Queiroz ia destacando o espírito da equipa do Irão, que na altura orientava, mas sempre com uma ressalva importante: a entrega, a disponibilidade e a organização coletiva não deviam apagar a qualidade individual daquele conjunto de jogadores que continuava a fazer história no futebol do país asiático. Daí surgia de forma inevitável a pergunta: a escassa aposta das formações das principais ligas europeias nos iranianos era algo em vias de mudar?

A realidade ainda não mudou propriamente de forma muito visível mas existe um exemplo paradigmático de sucesso numa liga europeia, mesmo não sendo do top 5: Sardar Azmoun, avançado de 24 anos que se destacou muito novo no Sepahan antes de se transferir aos 17 para a Rússia, como aposta do Rubin Kazan. A cumprir a oitava temporada no país, está agora num novo clube, o Zenit, onde chegou em fevereiro depois de ter passado ainda pelo Rostov antes de regressar ao Rubin Kazan. E voltou a provar que foi uma aposta ganha, tal como poderiam ser outros compatriotas que estiveram nesse Mundial do ano passado.

Filho de um antigo internacional iraniano de voleibol que se tornou treinador e passou por vários clubes, Azmoun fez hoje um pouco de história ao marcar o primeiro golo na presente edição da Liga dos Campeões, curiosamente numa grande jogada de combinação com o avançado Dzyuba, internacional russo que teve um dos momentos bloopers do fim de semana na Liga russa ao agarrar no companheiro ao colo para sair mais rápido no triunfo do conjunto de São Petersburgo frente ao Arsenal Tula (3-1). Já antes, o iraniano tinha marcado dois golos na Supertaça (derrota por 3-2 com o Lokomotiv) e mais dois golos nas primeiras três jornadas. Agora, um mês e meio depois desse momento de maior fulgor, voltou a assumir esse protagonismo.

No entanto, o golo que colocou o conjunto russo em vantagem ao intervalo acabou por ser insuficiente para a equipa que, sendo cabeça de série no último sorteio da Liga dos Campeões, ainda brincou nas redes sociais com a vontade de todos os adversários nos potes 2, 3 e 4 quererem cruzar-se com o seu grupo: no arranque do segundo tempo, Memphis Depay, internacional holandês que é uma das maiores referências atacantes do conjunto agora orientado por Sylvinho, conseguiu ganhar e converter uma grande penalidade que empatou o encontro e que deu esperanças aos franceses de arrancarem com um triunfo.

Apesar de ter mais posse e algum domínio territorial, o Lyon nunca conseguiu o domínio suficiente para encostar os visitantes às cordas e ainda viu o Zenit beneficiar de duas boas oportunidades em transições rápidas bem travadas pelo português Anthony Lopes. Com isso, a história repetiu-se: depois de ter somado quatro empates na última temporada que marcou o regresso à Liga dos Campeões (Shakhtar, Hoffenheim, Manchester City e Barcelona), o conjunto francês voltou a não ir além de uma igualdade num grupo equilibrado que conta ainda com o Benfica e com os alemães do RB Leipzig.