Costuma dizer-se que no futebol nada é o que parece e que o que aconteceu no passado em nada controla ou influencia o que acontece no futuro. Ainda assim, existe uma premissa que está no subconsciente dos adeptos de futebol portugueses: da Alemanha — e não de Espanha, como diz o provérbio — nem bom vento, nem bom casamento. Tanto na Seleção Nacional, que não tem grande historial com a seleção alemã, como nas competições de clubes, os encontros de conjuntos portugueses com alemães são sempre antecipados com a devida ponderação e ceticismo.

E não é para menos. Com o jogo desta terça-feira, o RB Leipzig tornou-se a terceira equipa alemã a ganhar na Luz ao longo de 24 anos — depois de duas vitórias do Bayern e outra do Schalke 04. Depois deste resultado, o Benfica somou a terceira temporada consecutiva em que entra a perder na Liga dos Campeões, a quarta seguida em que não consegue entrar a ganhar e leva agora 71% de derrotas nos últimos sete jogos em casa para a liga milionária (ganhou um, empatou outro, perdeu cinco).

Mais do que cimentar a má memória em relação às equipas alemãs, a derrota inaugural na fase de grupos da Liga dos Campeões também não traz grande augúrio para as ambições encarnadas na competição. Nas cinco últimas vezes em que entrou com uma derrota na Champions — sendo a primeira em 1998/99 e a última na temporada passada –, o Benfica foi sempre eliminado nesta fase e nunca conseguiu apurar-se para os oitavos de final.

Ainda assim, e más notícias à parte, Bruno Lage voltou a aproveitar um jogo europeu para estrear jogadores da formação: Tomás Tavares foi titular na direita da defesa, no lugar onde costuma estar André Almeida, e David Tavares entrou já na segunda parte para render Jota. Nélson Veríssimo, que substituiu o treinador castigado no banco de suplentes, disse na flash interview que a primeira parte do encontro foi “equilibrada”. “Depois na segunda parte acabámos por sofrer um golo após podermos ter marcado. A eficácia revelou-se determinante. O grupo é equilibrado e faltam muitos jogos por fazer. Agora vamos pensar na Liga”, disse o adjunto encarnado, que falou ainda sobre as mexidas no onze inicial.

“O plantel tem qualidade e os jogadores dão-nos garantias para escolher e apresentar equipas competitivas. É a prova de que todos os que jogam menos demonstram que podem jogar. Todos estão preparados e foram a jogo o que estavam melhor fisicamente. No sábado já há novo jogo com o Moreirense”, concluiu Nélson Veríssimo, que reconheceu ainda ser “estranho” o facto de Bruno Lage não ter estado no banco, por ser “o líder” da equipa, mas garante que o grupo preparou “as coisas para a sua ausência”.