As cidades, especialmente as maiores ou aquelas onde o turismo é mais forte, estão pejadas de trotinetas eléctricas, um veículo pequeno, ágil e barato, criado para resolver as necessidades de micromobilidade sem fazer disparar os custos ou as emissões poluentes. Mas as também conhecidas como e-scooters rapidamente se tornaram um problema, ao serem abandonadas em qualquer lado após a utilização, o que dificulta a vida aos peões, especialmente os invisuais.

Enquanto as autoridades continuam à procura de uma solução para disciplinar o uso e a arrumação das trotinetas eléctricas, quando a viagem termina, há quem opte por uma abordagem mais radical. É o que acontece na cidade francesa de Lyon, onde não falta quem se dedique a retirar – neste caso literalmente – as e-scooters da rua.

Localizada nas margens do rio Ródano, Lyon não sofre mais do que as restantes cidades europeias com a invasão das trotinetas. Contudo, alguns dos seus habitantes encontraram uma forma “diferente” de lidar com os abusos associados ao estacionamento em qualquer lado das trotinetas, desde amontoadas em cima do passeio a deixadas sobre a relva e canteiros nos parques, atirando-as ao rio.

Segundo o Euronews, preocupado com o destino das e-scooters, um grupo denominado Odysseus 3.1 resolveu ir ao fundo do problema, mergulhando nas águas do Ródano. O resultado foi que, em apenas poucas horas, estes ambientalistas “pescaram” 109 trotinetas do fundo do rio. Tudo isto em apenas 300 metros.

Atirar as trotinetas para a água pode parecer que resolve momentaneamente o problema, mas a prazo causa graves impactos ambientais. As baterias de iões de lítio que alimentam os veículos não foram concebidas para estar em contacto com água, estando condenadas a deteriorem-se e a espalhar os materiais usados na sua construção pelas águas do rio, provocando um sério problema ambiental.

Os veículos recuperados do leito do rio pelos mergulhadores do Odysseus 3.1 foram depois entregues às empresas proprietárias que, face à degradação que muitas parecem apresentar, as devem ter atirado para o lixo. Idealmente depois de retirar as baterias e entregá-las para reciclagem.