A Opel renovou o Astra, tanto na versão berlina de cinco portas como na carrinha Sports Tourer, mas não foi a estética exterior que mereceu a maior atenção por parte dos responsáveis da marca. Isto apesar de existirem diferenças que um olhar mais atento pode captar, nomeadamente ao nível da grelha (para fazer o modelo parecer mais largo), dos faróis LED e de alterações nos pára-choques, tanto à frente como atrás.

Igualmente pouco evidente, mas substancialmente mais interessante para os utilizadores do modelo, foi o esforço do construtor alemão do Grupo PSA em tornar o Astra mais aerodinâmico, montando uma grelha activa, que fecha a velocidades mais elevadas para melhorar a aerodinâmica – e, com isso, reduzir o consumo e as emissões –, objectivo que persegue igualmente com a aplicação de uma carenagem inferior do chassi. Com tudo isto, o Astra berlina de cinco portas passa agora a reivindicar um Cx de 0,26, em vez dos anteriores 0,29, para a carrinha Sports Tourer evoluir de 0,285 para um Cx de 0,255, colocando-se ambos como referências do segmento.

Motores novos, mas não franceses

É normal que os restylings dos modelos a meio do ciclo de vida incluam algumas alterações nos motores e até mesmo uma novidade aqui ou ali. Menos normal é o Astra surgir exclusivamente com motores, tanto a gasolina como a gasóleo, para cúmulo não herdados do banco de motores da PSA, como vem sendo hábito, para maximizar as sinergias do grupo. Questionados sobre esta opção, os responsáveis da Opel explicaram-nos que não só era complicado (e dispendioso) adaptar o modelo que representa o construtor naquele que é o segmento mais importante do mercado europeu (segmento C), às mecânicas francesas, como o desenvolvimento e a produção destas novas unidades estavam contratualizados com a General Motors antes da venda da Opel/Vauxhall à PSA.

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Os dois novos motores, a gasolina e a gasóleo, possuem ambos três cilindros, bem como cabeça e bloco em alumínio, com o novo 1.2 Turbo a gasolina a ser 6 kg mais leve que o anterior 1.0 Turbo. Fruto de uma taxa de compressão elevada (10:1) e de uma pressão de injecção a condizer (350 bar), o novo motor emite menos 21% de dióxido de carbono, quando comparado com o antigo 1.0 sobrealimentado, estando disponível nas versões de 110 cv, 130 cv e 145 cv. O importador para o nosso país decidiu propor aos condutores nacionais exclusivamente a versão intermédia, pelo menos para já, com o Astra 1.2 T com 130 cv a anunciar 215 km/h e 0-100 km/h em 9,9 segundos, com um consumo médio em WLTP de 5,2 l/100 km. Em alternativa, para quem deseje um veículo com caixa automática, a Opel propõe este mesmo Astra, mas com um motor 1.4 Turbo de 145 cv, dotado de uma caixa de variação contínua CVT.

O motor a gasóleo também é novo. Trata-se do três cilindros turbodiesel com 1.5 litros, que está disponível com potências de 105 e 122 cv, com a curiosidade desta unidade poder estar associada a uma caixa manual de seis relações ou a uma nova automática com nove velocidades. No nosso país, será apenas comercializada a versão de 122 cv , com as duas hipóteses em matéria de transmissão. Quando equipado com este motor, o Astra anuncia 210 km/h, 0-100 km/h em 10,2 segundos e um consumo médio em WLTP de 4,5 litros.

Como é ao volante?

Conduzimos o novo Astra nos arredores de Frankfurt, com o motor a gasolina com 130 cv a revelar-se agradável de utilizar, com bastante força a baixo regime e com um nível de vibrações relativamente contido, típicas de uma unidade tricilíndrica. A capacidade de aceleração é aceitável para a potência, tendo como contrapartida permitir rodar a um ritmo calmo com um consumo médio de 6 litros, valor que aumentará caso o ritmo de condução se altere, como aliás é usual nos motores sobrealimentados a gasolina.

O Astra passa a estar disponível com dois tipos de suspensão, sendo a R-Dynamic uma alternativa à normal, capaz de tornar o modelo mais ágil sem limitar muito o conforto. Por dentro, o nível de equipamento sobe, com o novo ecrã central a permitir uma associação mais fácil a todos os tipos de telemóveis, surgindo ainda, como opção, um painel de instrumentos digital e um sistema de som Bose. Mais interessante é o sistema eBoost, que alimenta os travões com o vácuo produzido por uma bomba eléctrica, em vez de ser tirado da admissão do motor – o que segundo a marca permite poupar 1 g de CO2 –, bem como uma nova câmara frontal, associada a um novo processador para evitar de forma mais eficaz os embates e até o atropelamento de peões.

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De seguida, conduzimos o Astra com motor 1.5 Turbodiesel de 122 cv, que nos agradou por fornecer mais força em todas as circunstâncias e ser mais comedido nos consumos, mas apresentando um nível de vibrações mais evidente, como também é habitual nos trilíndricos a gasóleo. Associado à nova caixa automática de nove velocidades, com conversor de binário, o Astra atingiu um consumo médio de 4,8 litros, valor que subia a um ritmo mais contido do que no seu “irmão” a gasolina, sempre que se pressionava mais o acelerador. Se o motor a gasolina, desenvolvido pela Opel para a marca e para a GM, será fabricado na Europa e nos EUA, o diesel será apenas fabricado no Velho Continente, sendo utilizado nos dois lados do Atlântico.

Quando chega?

O novo Opel Astra, nas duas variações de carroçaria, berlina e Sports Tourer, deverá começar a ser entregue aos seus clientes a partir de Novembro, por valores desde 24.690€, relativo à versão berlina 1.2 Turbo de 130 cv, com o nível de equipamento Business Edition (existindo ainda as versões GS Line e Ultimate, mais equipadas), enquanto a versão 1.4 Turbo com 145 cv e caixa CVT exige um investimento de 33.290€.

A berlina com motor turbodiesel de 122 cv e caixa manual é proposta por 28.190€, com a caixa automática de nove velocidades, oferecida apenas na versão de acabamento Ultimate, a mais sofisticada, a ser comercializada por 36.290€.

A variante Sports Tourer, com o mesmo motor e nível de equipamento, será proposta por mais cerca de 1.000€ do que a berlina de cinco portas equivalente. Isto significa que a carrinha com motor 1.2 Turbo de 130 cv Business Edition estará à venda por 25.640€, enquanto a GS Line exige 26.890€ e a Ultimate 30.890€. Com motor turbodiesel, o Astra Sports Tourer arranca nos 29.140€, para a versão 1.4 Turbo com caixa CVT custar 34.240€ e a 1.5 Turbo D, com caixa automática de nove velocidades, ficar nos 37.240€.