A Fenapecuária mostrou-se esta quinta-feira indignada com a decisão do reitor da Universidade de Coimbra, de eliminar carne de vaca das cantinas, e considerou que as condições dos concursos das cantinas devem incluir variáveis como distância de produção dos alimentos.

“A Fenapecuária [Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Produtores Pecuários] manifesta a sua profunda indignação e preocupação com as declarações do Sr. Reitor da Universidade de Coimbra, repudiando-as veementemente pela falta de rigor e manifesta demagogia que acarretam”, lê-se no comunicado divulgado esta quinta-feira e intitulado “haja bom senso”.

A federação de produtores de criação de gado considera que o setor “já começa a habituar-se aos constantes ataques daqueles que, por ignorância, fanatismo ou populismo, proferem declarações sem a necessária sustentação técnica ou científica“, mas que mesmo assim não pode deixar de demonstrar indignação.

Citado em comunicado, o presidente da federação, Idalino Leão, considerou que as cantinas devem é introduzir variáveis de sustentabilidade ambiental nos cadernos de encargos dos concursos das cantinas públicas, “como a distância onde são produzidos e consumidos os bens alimentares”.

“Para isso, é importante que os partidos políticos estejam dispostos a fazer as respetivas alterações ao código da contratação pública”, refere o presidente da Fenapecuária. A federação pede ao Governo que também promova o esclarecimento público, assumindo um “papel ativo na moderação deste debate”.

“Deixa-nos preocupados que o Sr. Reitor refira que a carne de vaca será substituída por nutrientes a serem estudados. Esses nutrientes não existem? Serão criados em laboratório? Que garantias terão de oferecer para que o Sr. Reitor os considere mais sustentáveis do que a carne de vaca?“, questiona a federação, que considera que a “racionalidade e o rigor” acabará por vir ao de cima, sobretudo estando em causa uma “instituição centenária e de mérito científico” como a Universidade de Coimbra.

A federação de produtores pecuários apela mesmo à “comunidade científica da Universidade de Coimbra” para que “faça prevalecer o uso da razão sobre uma decisão que não tem outro fundamento que não o político /populista”.

O reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, disse na terça-feira, numa intervenção na cerimónia de acolhimento perante centenas de alunos, que se “vive um tempo de emergência climática e tem de se colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada, revelando que a eliminação do consumo de carne nas cantinas universitárias será o primeiro passo para tornar a Universidade de Coimbra “a primeira universidade portuguesa neutra em carbono” até 2030.

Esta posição provocou polémica e críticas de agricultores.