A edição 2019 do Festival Internacional Coimbra em Blues, prevista para novembro e apresentada esta quinta-feira, aposta na diversidade de tendências ligadas ao blues, com quatro nomes consagrados, mas também na mostra de novos talentos nacionais.

Fernando Oliveira, da direção do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), disse à agência Lusa que a programação musical da instituição quer promover a recuperação de “uma cultura da escuta, informada, diversificada, cosmopolita, diferenciada”, ao acolher este projeto.

Agradeceu o “esforço e sentido de risco que os dois produtores, programadores e também ativistas da causa” dos blues assumiram, considerando “muito importante” a sua iniciativa para que eventos como o Coimbra em Blues “possam perdurar no tempo”

O Coimbra em Blues nasceu em 2003, no TAGV, foi realizado ao longo dos anos, embora com várias interrupções, também noutros espaços da cidade, e regressou à casa-mãe em 2018.

Adalberto Ribeiro, da produtora Trovas Soltas, do Porto, lembrou precisamente que a marca Coimbra em Blues nasceu “há muitos anos” no TAGV e chegou a ser uma “referência” nos festivais realizados na chamada cidade dos estudantes, tendo os produtores feito uma proposta à direção do teatro académico para revitalizar o evento, “o que foi imediatamente aceite”.

A intenção é trazer diversas tendências do blues, saímos um bocado daquilo que as pessoas estão habituadas a ouvir e conhecer, que é o Chicago Blues, por forma a podermos ajudar também à formação de novos públicos aqui em Coimbra”, declarou.

O programa principal, agendado para 15 e 16 de novembro, apresenta, no primeiro dia, o novo projeto de Pedro Serra (conhecido no meio musical como Portuguese Pedro), músico, DJ e locutor do único programa de rádio em Portugal dedicado à estética musical das décadas de 1940 e 50, com um percurso que vai do country ao rockabilly e dos sons de Hank Williams a Johny Cash, entre outros.

“O rockabilly é um género que é uma derivação do blues, como será também o rock, o hip hop, o funk, como é o jazz e para nós faz sentido ter este género de blues no festival”, afirmou Adalberto Ribeiro.

No mesmo dia, a segunda proposta chama-se Chino & The Big Bet, projeto de um guitarrista argentino sediado em Barcelona, Espanha, que apresenta um quarteto “com um blues mais de raiz, do delta do Mississipi, com harmónica e piano”, explicou.

A 16 de novembro, o programa inclui o guitarrista Martin Harley, que começou por ser um “talento emergente do blues, mas rapidamente saltou para a ribalta pelas qualidades na ‘slide guitar'”, disse, por seu turno, Pedro Galhós, da produtora Luckyman, de Lisboa.

O também cantor e compositor “presença obrigatória e habitual” em espetáculos na Europa e Estados Unidos, apresentar-se-á no palco do auditório do TAGV como um “one man band” (a banda de um só homem), mais um género diferente do blues. “É um prazer tê-lo em Coimbra e queremos que o público tire as suas conclusões”, referiu.

A fechar o festival, os produtores anunciam aquela que é considerada a “filha do blues”, Shirley King, filha de B.B. King, que representa o tradicional Chicago Blues e tem nos seus concertos — acompanhados em Portugal pela banda bracarense Budda Power Blues — “momentos de especial interação com o público”, notou Adalberto Ribeiro.

Ninguém se espante se ela descer do palco e se for sentar ao colo de alguém, porque isso acontece regularmente. E com essa ligação que tem ao público, também ninguém se admire se chamar ao palco pessoas para dançar”, revelou.

Para além do programa principal, o Coimbra em Blues irá também promover três concertos, todos gratuitos, agendados para o café-teatro do TAGV, a 1 e 22 de outubro e a 7 de novembro, que têm como objetivo “comunicar a marca do festival através da música e proporcionar que novos talentos musicais mostrem o seu virtuosismo, porque os novos cantores e novos guitarristas precisam de espaço para mostrar o seu trabalho”, argumentou Adalberto Ribeiro.

Assim, os espetáculos “powered by Coimbra em Blues” começam a 01 de outubro, Dia Mundial da Música, com os Dog’s Bollocks, duo originário de Torres Novas — que na sua página da rede social Facebook se dizem constituídos “por duas guitarras, metade de uma bateria e muito blues e rock & roll” — com influências que vão de Jack White a The Legendary Tiger Man, “e tudo o que há no meio”, assinala a programação do TAGV.

A 22 de outubro, é a vez dos portuenses The Smokestackers, outro duo com guitarra e harmónica, este formado por João Belchior e Diogo Mão de Ferro, com um repertório “que abrange o tradicional e canções mais atuais, em formato acústico”.

O projeto de novos talentos fecha a 7 de novembro, na semana anterior ao festival, com Little Hands Trio, de Lisboa, com temas que vão do blues ao funk rock.