A Polícia Federal brasileira cumpriu esta quinta-feira mandados de busca e apreensão nos escritórios do líder da bancada governamental no Senado, Fernando Bezerra, e do seu filho e deputado, Fernando Coelho Filho, durante uma operação anticorrupção.

A entrada dos agentes nos prédios da Câmara dos Deputados e do Senado foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como parte de uma investigação sobre supostas irregularidades nas obras de travessia do rio São Francisco, no nordeste do país durante a administração da ex-presidente Dilma Rousseff, quando Bezerra foi ministro da Integração Nacional.

A operação policial desta quinta-feira, denominada “Desintegração”, baseia-se em delações premiadas (benefício legal concedido a um réu que aceite colaborar com a investigação criminal) de uma outra operação, chamada “Turbulência”, iniciada em junho de 2016. De acordo com a Polícia Federal, a operação Desintegração investiga um esquema criminoso de pagamento de subornos por parte de construtoras a autoridades públicas. Os pagamentos teriam sido feitos entre 2012 e 2014.

A investigação também constatou que dívidas pessoais de autoridades, principalmente relativas às campanhas eleitorais, foram pagas pelas empresas ora investigadas. Por ordem do STF, foram expedidos 52 mandados de busca e apreensão envolvendo endereços de todos os investigados, dentre eles autoridades públicas, beneficiários dos recursos e das empreiteiras envolvidas”, disse a Polícia no seu site.

Horas após o início da operação, Fernando Bezerra disse aos jornalistas, em Brasília, que colocou o seu cargo de líder do governo no Senado à disposição do Presidente do país, Jair Bolsonaro.

“Eu já conversei pela manhã, com o presidente [do Senado] Davi Alcolumbre e conversei com o ministro da Casa Civil, Onyx [Lorenzoni]. Tomei a iniciativa de colocar à disposição o cargo de líder do governo, para que o executivo possa, ao longo dos próximos dias, fazer uma avaliação se seria o momento de proceder a uma nova escolha, ou não“, disse Bezerra, citado pelo portal de notícias G1.

O Palácio do Planalto, sede da Presidência do Brasil, ainda não confirmou uma possível mudança de líder no Senado. Num comunicado enviado à imprensa local, a defesa do Bezerra afirmou que as medidas da Polícia Federal dizem respeito a “factos pretéritos”, motivados pela “atuação política e combativa do senador” contra interesses de “órgãos de persecução penal”.

“Causa estranheza à defesa do senador Fernando Bezerra Coelho que medidas cautelares sejam decretadas em razão de factos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, disse o comunicado, assinado pelo advogado André Callegari.