Ao longo de vários minutos no último jogo da Champions com a Juventus, o Atl. Madrid teve muito coração e pouca cabeça mas, à semelhança do que tinha acontecido no ano passado na primeira mão da Liga milionária, foi a cabeça que conseguiu acalmar os ânimos de jogadores, técnicos e adeptos: foi assim que Savic conseguiu reduzir a desvantagem após assistência de Giménez no seguimento de um livre, foi assim que Herrera, em estreia frente aos transalpinos, saiu do banco para fixar o 2-2 no minuto 90. A força no jogo aéreo é uma das características do conjunto de Simeone mas nem por isso João Félix sai desfavorecido.

O avançado português ainda se encontra num processo de adaptação a uma nova realidade mas tem características das quais o técnico dos colchoneros não abdica – sendo que nenhuma delas é propriamente o jogo pelo ar. Foi também por isso que, entre a rotatividade feita depois do jogo com a Juventus, Félix manteve o lugar no conjunto inicial ainda que derivando do centro para a esquerda, abrindo vaga à entrada de Correa para fazer dupla com Diego Costa. E foi no jogo aéreo que surgiu a oportunidade inicial da partida, com Felipe (antigo central do FC Porto que foi titular no lugar de Savic) a obrigar Rubén Blanco a grande intervenção logo no terceiro minuto, na sequência de um livre lateral apontado na esquerda.

“Empurrada” pelo ambiente especial que se vivia no Wanda Metropolitano, em festa com mais um “Dia de Peñas” que trouxe uma série de novidades no pré-jogo à volta do recinto, a equipa do Atl. Madrid ainda teve alguns calafrios em saídas do Celta de Vigo em transições rápidas mas foi Rubén Blanco que continuou a brilhar, sobretudo num remate de longe de Renan Lodi para a melhor intervenção da partida (28′) e, no canto seguinte, mais uma defesa a dois tempos a evitar o primeiro golo do encontro neste caso de João Félix, que conseguiu aparecer um pouco mais no jogo durante esse período.

O intervalo chegava com o nulo a manter-se e as dificuldades do Atl. Madrid para chegar ao golo iriam continuar, apesar das várias tentativas que a equipa ia fazendo com remates de meia distância (João Félix desviado para canto após bater num defesa, Koke depois de nova intervenção de Rubén Blanco, ambos aos 52′). Simeone ainda lançou Vitolo no lugar de Correa, tentando chamar João Félix mais ao corredor central com Diego Costa, tirou depois o português para lançar Morata (70′) mas as dificuldades para quebrar a muralha do Celta de Vigo mantiveram-se e o conjunto da capital espanhola falhou mesmo o assalto à liderança averbando o segundo encontro consecutivo sem ganhar nem marcar na Liga espanhola.