Nascido em Tonga, Tolu Latu já leva vários anos ao serviço na seleção da Austrália e fez parte inclusive das equipas Sub-20 que participaram nos Mundiais da categoria em 2012 e 2013. Em 2016, um ano depois do último Campeonato do Mundo de seniores, teve a primeira chamada ao principal conjunto do país e tudo apontava para que fosse um dos indiscutíveis de Michael Cheika para a edição de 2019, no Japão. No entanto, essa presença esteve seriamente em risco por culpa própria.

Primeiro foi a suspensão de seis semanas por conduta anti-desportiva num jogo contra os Sunwolves, numa decisão que esteve longe de ser unânime mas que acabou por penalizar mesmo o jogador. Depois, nova ausência de um mês por ter sido apanhado a conduzir com álcool no sangue, algo que o próprio assumiu em tribunal pedindo desculpa por esse episódio. Na concentração seguinte da seleção australiana, Latu ficou de fora. “Nessa altura achei que não haveria lugar para mim na equipa e estou mesmo agradecido pela oportunidade”, assumiu antes do Mundial. A aposta, essa, já começa a ser justificada.

No início do grupo D do Campeonato do Mundo, que junta ainda País de Gales, Geórgia e Uruguai, Fiji entrou melhor. Não só nos pontos (penalidade de Ben Volavola e ensaio de Peceli Yato nos dez minutos iniciais) mas também na vontade, na entrega, na motivação. Um ensaio de Michael Cooper com conversão de Christian Lealiifano reduziu ainda a desvantagem para 8-7 mas a Austrália continuava desligada do jogo e a ver Fiji aumentar a sua conta com duas penalidades de Volavola antes do ensaio sem conversão de Reece Hodge que fez o surpreendente 14-12 em cima do intervalo.

Tudo apontava para uma entrada diferente dos australianos, por forma a comprovarem o favoritismo teórico no encontro, mas foi Fiji a conseguir de novo surpreender com um ensaio de Waisea Nayacalevu com conversão que colocou o resultado num impensável 21-12 já dentro do segundo tempo. Mais: nunca a Austrália tinha conseguido uma recuperação assim num jogo a contar para o Mundial. Nunca, até hoje: após uma penalidade de Hodge, dois ensaios de Tolu Latu (ainda que sem conversão) viraram por completo o encontro em cinco minutos, abrindo caminho a uma vitória por números que acabam por não espelhar as dificuldades sentidas após ensaios de Samu Kerevi e Marika Koroibete com conversões de Matt Toomua (39-21).