Para os mais moderados, o Nova Zelândia-África do Sul era o encontro mais aguardado da fase de grupos do Mundial; para os mais entusiastas, o Nova Zelândia-África do Sul era uma final antecipada do Mundial. Contas feitas, todos podem ter razão. E basta recordar que, na última edição do Campeonato do Mundo em Inglaterra, esse foi precisamente o encontro das meias-finais. O que não mudou também? O vencedor. E depois do triunfo da Nova Zelândia em 2015 por 20-18, nova vitória por 23-13.

Depois de seis triunfos consecutivos da Nova Zelândia frente aos sul-africanos num duelo que teve agora o seu 99.º capítulo, os últimos três duelos tinham nivelado de vez as contas entre ambos: em 2018, a África do Sul ganhou por 36-34 em Wellington e a Nova Zelândia venceu por 32-30 em Pretória, em jogos a contar para o Championship; em julho deste ano, houve empate a 16 de novo em Wellington e mais uma vez a contar para o Championship. Maior equilíbrio era impossível mas, na hora da verdade, os All Blacks, que tentam o terceiro Campeonato do Mundo consecutivo, fizeram prevalecer a sua experiência.

Depois do tradicional haka, desta vez numa versão um pouco mais longo do que é habitual, a África do Sul mostrou que aquele “condicionamento” antes do arranque do jogo já não é o que era e entrou a dominar, convertendo uma penalidade por Handre Pollard logo a abrir e vendo nova tentativa bater de forma caprichosa no poste a meio da primeira parte. Estava 3-0, podia ter ficado 6-0, cinco minutos depois já íamos em… 3-17. Esse é o grande segredo dos bicampeões mundiais: quando percebem que existe a mínima fragilidade do adversário, não perdoam. Assim, uma penalidade de Richie Mo’unga, seguida de dois ensaios com conversão de George Bridge e Scott Barrett mudaram por completo o andamento do encontro perante um dos poucos períodos ao longo de toda a partida em que os sul-africanos falharam no passe e tiveram saídas menos conseguidas.

No segundo tempo, um erro quase infantil da defesa da Nova Zelândia permitiu a Pieter-Steph du Toit fazer o ensaio que teria conversão de Pollard e os Springboks ganharam outra alma, reforçada pelo pontapé de ressalto convertido a 40 metros por Pollard, mas a maior experiência do conjunto neozelandês acabou por prevalecer até ao final, com uma penalidade de Richie Mo’unga e outra de Beauden Barrett a fixarem o 23-13 final que deverá ter carimbado o primeiro lugar dos bicampeões mundiais no grupo B, que inclui ainda Itália, Canadá e Namíbia, as duas últimas com um ranking abaixo de Portugal.