Já tinha acontecido antes mas é tudo menos uma situação frequente na Primeira Liga, sobretudo quando do outro lado está uma equipa “grande” e com a pressão de não poder perder pontos para não se atrasar na corrida pelo título: chegados aos 85 minutos, Mateus Pasinato, guarda-redes do Moreirense, não tinha feito ainda uma única defesa a remates dos jogadores do Benfica. E nem se trata de ser mais ou menos complicada – pura e simplesmente não realizou nenhuma nem para amostra. Resultados práticos? Para os minhotos, zero; para os encarnados, também zero. E tudo porque a eficácia fez toda a diferença.

Bastaram apenas dois remates enquadrados com a baliza dos minhotos, neste caso de Rafa e de Seferovic, para o Benfica dar a volta nos últimos cinco minutos e anular a vantagem conseguida pelo Moreirense no arranque da segunda parte. E este foi o primeiro encontro das águias em que essa tal eficácia nos tiros enquadrados chegou aos 100%, superando os 80% alcançados em Braga onde além dos quatro golos da goleada com os arsenalistas houve apenas mais uma defesa de Matheus.

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No final, Bruno Lage, que de forma inadvertida entrou mais cedo no relvado pensando que a partida estava terminada mas sem que Artur Soares Dias desse o apito final, não passou ao lado do marcador do golo decisivo da reviravolta e considerou o triunfo dos encarnados justo, ao mesmo tempo que pediu desculpa pela “invasão” por engano que teve na parte final do jogo.

“Antes de mais, já pedi desculpas à equipa de arbitragem pela minha entrada em campo. [Aconteceu] pela forma como o árbitro apitou a falta e pela minha vontade em agradecer a estes adeptos fantásticos que não nos julgaram, que nos apoiaram do início ao fim e que nos deram a alegria. Por isso, a vitória é deles, foram eles que nos ajudaram a chegar a esta vitória. Tivemos uma entrada boa e vamos com uma vontade tremenda para chegar ao golo na primeira parte mas essa vontade de querer fazer tudo em velocidade levou a uma descoordenação total na nossa construção, com centrais desposicionados, com o médio atrás da linha dos centrais. Perdemos a bola e permitimos o golo ao adversário. Procurámos colocar mais gente entrelinhas atrás dos médios – e as substituições foram nesse sentido. Acabou com felicidade mas na minha opinião também com justiça com os três pontos que nos ficam bem”, começou por responder na zona de entrevistas rápida da SportTV.

“Seferovic? Afinal o rapaz marca golos… As pessoas têm de entender a importância que ele  tem para a equipa. É um atleta que gosta de estar cá entre nós, que corre, que é muito importante na nossa organização defensiva. Os adeptos apoiaram-no do princípio ao fim. Não sei se foi o funcionário do mês ou da semana, foi uma analogia que me surgiu na altura. Sou apenas um treinador de futebol, sou um pouco reservado, gosto de estar sossegado no meu canto a analisar as pessoas, porque isto é a nossa vida”, comentou sobre o suíço, antes de voltar a falar de forma indireta do gesto após o golo com o RB Leipzig.

“Às vezes acontece, o nosso chefe está lá em cima e dá-nos uma martelada. Qual é o vosso sentimento? Naquele dia, uma fotocópia que não saiu, um papel que ficou por entregar, alguma coisa que falhou, somos julgados e não gostamos. No futebol, é isso que acontece. Tenho 43 anos, ando nisto há 20 anos, o Sefe [Seferovic] é um rapaz de 27 anos que acabou de ser pai. Estas coisas deixam marca, por isso é que depois tentamos de forma tranquila apoiar. Como aconteceu com este público hoje, que fez isso, que nos deu muita força para virar o jogo”, rematou Bruno Lage no final do encontro.