Quando se olha para a realidade de pilotos como Marc Márquez ou Andrea Dovizioso, existem apenas dois objetivos em todas as corridas: ganhar e ganhar. Depois olhamos para outros pilotos que estão agora a chegar ao topo de forma mais consolidada, casos de Danilo Petrucci, Fabio Quartararo, Álex Rins ou Maverick Viñales, há sempre aquela expetativa de andar junto aos da frente e acabar com um pódio. Mas entre mais de 20 pilotos também existem outras realidades que funcionam quase como uma vitória mesmo não o sendo e Miguel Oliveira conseguiu um desses triunfos na qualificação do Grande Prémio de Aragão.

Depois de sessões de treinos livres que ficaram um pouco aquém das ambições do português, com alguns pormenores melhorados na moto mas outros aspetos a melhorar, Miguel Oliveira conseguiu o sétimo melhor tempo na qualificação 1, apesar de ter falhado o acesso desejado à qualificação 2. Ainda assim, com Pol Espargaró de fora após sofrer uma fratura no pulso esquerdo e Mika Kallio – que rendeu Johann Zarco, despedido esta semana – a não ir além do 19.º posto, o português acabou por ser o melhor elemento da KTM com a 17.ª posição na grelha. “O nosso ritmo de corrida parece melhor do que uma volta rápida. Por isso espero fazer um bom arranque para poder fazer uma boa corrida e lutar pelos pontos”, analisou no final.

Num traçado onde já conseguiu ganhar (Moto 3 em 2015, ano em que se sagrou vice-campeão mundial da categoria apenas atrás do britânico Danny Kent), já chegou a um pódio (Moto 2 em 2017, quando terminou o Campeonato na terceira posição) mas também já tinha desistido (na estreia em Moto 2, em 2016), o piloto de Almada prometeu e cumpriu: com uma boa saída perante quase 60 mil espetadores que lotavam este Grande Prémio, saltou logo duas posições e, pouco depois, subiu a um inesperado 11.º lugar, aproveitando um incidente que atirou Morbidelli para fora da corrida e atrasou e muito Álex Rins na corrida.

Miguel Oliveira estava atrás de Danilo Petrucci e assim continuaria mesmo escalando mais uma posição, quando ambos passaram por Andrea Iannone – e Rins, que seria sempre uma ameaça depois do acidente no início da prova, foi punido com uma long lap penalty ainda por causa da queda de Morbidelli, o que apenas “adiou” a ultrapassagem ao português, colocando a principal luta do piloto da KTM com Ianonne. Lá mais na frente, Marc Márquez, que cumpria o 200.º Grande Prémio, liderava como queria, centrando as atenções na luta pelas restantes vagas no pódio entre Viñales, Miller, Dovizioso e Quartararo.

Álex Rins voltou a cair uma posição, fez mais uma ou duas manobras que podiam ter corrido pior para ele e para os restantes pilotos naquele grupo mas lá conseguiu ascender ao nono lugar (apesar de perder a sua asa do lado direito), deixando Petrucci, Iannone e Oliveira na luta pela última vaga do top 10, com os dois últimos a alternarem posições entre si enquanto rodavam a cerca de meio segundo do italiano da Ducati. No final, o português voltou a ser o melhor da KTM, acabando no 13.º lugar numa fase em que Takaaki Nakagami, aproveitando a maior aceleração da Honda, se envolveu com sucesso nessa luta (10.º). Marc Márquez ganhou e reforçou a liderança, com Dovizioso no segundo lugar e Jack Miller na terceira posição.