Depois do tetracampeonato entre 2010 e 2013, Sebastian Vettel atravessou um longo calvário sem vitórias. Em 2014, ano em que acabaria o Mundial na quinta posição com apenas 167 pontos, não somou sequer um triunfo, quebrando essa série na segunda prova do ano seguinte, na Malásia. Ao todo foram 20 corridas sem celebrar, uma série apenas superada pelo período entre a vitória em Singapura em 2015 e o triunfo na Austrália em 2017, num total de 27 provas sem atingir a frente da corrida com a bandeira de xadrez. Entre um e outro trajeto, mudou o carro (Red Bull primeiro, Ferrari depois) e mudou toda a realidade de uma Fórmula 1 que passou a ser dominada pelo Mercedes de Lewis Hamilton. Mas nem por isso deixou de ter mais séries dessas.

Desde o triunfo na Bélgica no ano passado, numa altura em que tinha ainda Kimi Räikkönen como companheiro de equipa na formação italiana, o germânico não voltou a festejar mais nenhum triunfo num Grande Prémio, entre oito em 2018 e 14 já este ano. Este domingo, em Singapura, essa malapata caiu. E caiu naquele que é o circuito talismã de Vettel, que passou a ser o único a somar cinco vitórias, superando nesse particular Lewis Hamilton. A isso juntou-se ainda outro dado com história – mais de dois anos depois (Hungria, 2017), a Ferrari conseguiu fazer uma dobradinha. Mas nem todos ficaram contentes com isso.

Para Vettel, este acabou por ser um prémio depois de uma série onde foi somando pontos de penalização e erros não forçados até ser ultrapassado pelo novo companheiro de equipa, Leclerc (sendo que passou a ser o terceiro piloto com mais pódios da marca, apenas atrás de Michael Schumacher e Rubens Barrichello). Para Leclerc, acabou por ser um presente envenenado numa corrida onde conseguiu a terceira pole position consecutiva e aspirava somar também o terceiro triunfo seguido. E o jovem piloto não escondeu essa mesma frustração desde que foi ultrapassado pelo alemão, argumentando mais do que uma vez de que não tinha sido uma troca justa enquanto mantinha a esperança de poder ainda saltar para o primeiro lugar.

Numa corrida que começou por ser atípica dentro da normalidade, com os seis primeiros da qualificação a ocuparem as mesmas posições no final da décima volta entre os dois Ferrari, os dois Mercedes e os dois Red Bull com uma diferença entre eles abaixo dos dez segundos, Leclerc aumentou um pouco ritmo por volta do primeiro terço de corrida mas foi a luta nas boxes que tomou conta deste Grande Prémio, começando com as paragens de Vettel e Verstappen, seguindo-se Leclerc e Hamilton. Tudo baralhado, com o Alfa Romeo de Giovinazzi a chegar a liderar a corrida, mas com uma mudança de relevo na frente.

Com essa primeira paragem, Vettel conseguiu ultrapassar Leclerc, que ainda para mais tinha atrás um Max Verstappen a pressionar cada vez mais para se tentar colocar entre os dois Ferraris. Hamilton e Bottas seguiam logo atrás, com o britânico a chegar-se ao último lugar do pódio para tentar ainda intrometer-se numa luta que já não parecia ser muito para a Mercedes, algo que ganhou outra probabilidade quando um acidente que envolveu George Russell e Romain Grosjean trouxe para a pista o safety car, o que iria abrir um final de corrida de loucos face às distâncias encurtadas que passariam a partir daí a existir. Tudo ficou na mesma mas, pouco depois, o safety car voltou a entrar por causa dos problemas de Sergio Pérez. E como não há duas sem três, um acidente com Kimi Räikkönen e Daniil Kvyat voltou trazer esse safety car para a pista, quebrando por completo qualquer hipótese que existisse ainda de alterar os primeiros lugares da corrida.

Apesar de ter sido apenas a terceira corrida sem chegar ao pódio (segunda no caso da Mercedes), Lewis Hamilton manteve a liderança do Mundial com 296 pontos, à frente do companheiro de equipa Valtteri Bottas (231). O terceiro lugar, esse, está cada vez mais ao rubro: Charles Leclerc igualou Max Verstappen com 200 pontos e Sebastian Vettel aproximou-se ainda mais, contando agora com 194 pontos numa altura em que faltam disputar seis provas até ao final.