A perda da maioria absoluta do PSD na Madeira é o resultado da governação desastrosa de Miguel Albuquerque, disse Alberto João Jardim, em declarações à RTP, manifestando-se insatisfeito com o resultado alcançado pelo partido e pelo seu sucessor.

Com a contagem dos votos terminada, o PSD de Miguel Albuquerque venceu as eleições regionais da Madeira com 39,4% dos votos, perdendo a maioria absoluta pela primeira vez e elegendo 21 deputados. Já o PS, com Paulo Cafôfo, conseguiu eleger 19 deputados, um número histórico para o partido na Madeira. O CDS-PP e o Juntos Pelo Povo (JPP) elegeram três deputados e a CDU conseguiu eleger um deputado para a Assembleia Legislativa Regional. O Bloco de Esquerda, pelo contrário, não conseguiu eleger qualquer deputado.

“Não estou satisfeito. Ainda tentei deitar a mão. O PSD paga, neste momento, o preço dos dois primeiros anos desastrosos de governo que fez aqui na Madeira”, sublinhou Jardim.

Alberto João Jardim, que governou o arquipélago durante quatro décadas com maioria absoluta, disse, apesar das acusações lançadas a Albuquerque, que “não se pode pedir a cabeça de ninguém”. No entanto, afirmou que o PSD precisa de ir para “um estaleiro” e “fazer uns consertos”, já que “são necessárias imensas e importantes mudanças internas”. E estas “têm de ser feitas e contra quem for teimoso”.

Sobre o futuro, foi claro: os próximos quatro anos passam por uma coligação, disse, congratulando-se por o Partido Socialista não ter sido o partido mais votado na Madeira. “Claro que não foi ainda desta que as forças que, desde 2012, em Lisboa, se movimentam para destruir o PSD/Madeira conseguiram a sua avante. (…) Não se pode trazer este PS para a área do poder. Seria destruir a autonomia e todas as conquistas sociais que se fizeram na Madeira.”

Os 21 mandatos do PSD somados aos 3 do CDS somam os 24 deputados necessários para uma maioria absoluta na Assembleia Legislativa da Madeira, composta por 47 parlamentares.

Sobre um potencial entendimento entre PS e partidos da oposição, ideia deixada no ar pelo cabeça de lista do PS, Paulo Cafôfo, Alberto João Jardim deixou um recado ao CDS. Se o fizerem, mais vale mandar construir um “jazigo” para o partido. “O CDS-PP, se fosse juntar-se ao PS, nas próximas eleições já nem elegia um deputado.” E disse acreditar que o líder centrista, Rui Barreto, não faria tal coisa. “Tem bom senso. Só se perder o juízo de hoje para amanhã. Nem se ia misturar com aquela gente”, sublinhou.