A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, assume que as suas propostas de redução de impostos são sobretudo dirigidas às classes média e média-alta, que considera serem “a faixa da população mais esquecida”. Em entrevista ao Jornal de Negócios, a líder centrista reforçou a necessidade de baixar a carga fiscal destes contribuintes por serem, considera, duplamente prejudicados. “[Esta faixa é] a que paga os impostos e que muitas vezes também paga do seu bolso cuidados de saúde, a educação e na área social porque não tem uma resposta eficaz por parte do Estado”, afirmou.

Cristas reconhece ainda que há “uma outra camada da população” que, por falta de alternativas, é prejudicada no acesso a serviços públicos, como a saúde. “Por isso dizemos que é preciso baixar a carga fiscal para todas as famílias, principalmente aquelas que pagam mais impostos, mas também dizemos que é preciso garantir acesso à saúde a todas as famílias, e aqui estamos a pensar naquelas que não têm ADSE, que não tem seguro privado de saúde”, aponta.

A política fiscal e a saúde foram as áreas dominantes na entrevista ao Negócios. A líder do CDS reforçou medidas como a descida do IRC para ajudar à competitividade das empresas, destacando como exemplo positivo a insistência da Irlanda em não alterar essa taxa durante o período da troika. Mas a descida de impostos, reforçou Cristas, é apenas uma de várias soluções para os problemas das empresas: “Foi um erro ter-se mexido na legislação laboral”, apontou, a título de exemplo. Quanto à saúde, Cristas defendeu a autonomia para as administrações hospitalares e alterações ao sistema de financiamento da área da saúde, passando dos atos praticados para “o benefício efetivo para o doente”.

Questionada sobre a aparente contradição entre defender descida de impostos ao mesmo tempo que critica a fragilidade dos serviços públicos, Assunção Cristas reforçou que esta é uma posição “absolutamente consistente” por servir para apontar os erros do Governo: “Na oposição, temos de fazer um trabalho de escrutínio do Governo, confrontando as promessas do Governo com a sua execução e as suas realizações. E vemos uma total dissonância”, afirmou.

Sobre o foco do CDS na mensagem de redução da carga fiscal, Cristas assegurou que não é uma reação ao surgimento de partidos que se assumem como economicamente liberais, como a Iniciativa Liberal ou o Aliança. A líder centrista reforçou que no CDS convivem “pessoas com perfil mais liberal, mais conservador e mais democrata-cristão”. “Já cá estamos há muito tempo”, disse.