As manifestações pró-democracia em Hong Kong deste domingo tiveram vários momentos de tensão, com lojas e estações de metro vandalizadas, uma bandeira chinesa pisada e a polícia a disparar balas de borracha contra os manifestantes. A situação agudiza-se à medida que se aproximam os festejos do 70.º aniversário da República Popular da China, no dia 1 de outubro, e que se multiplicam os relatos de violência policial, como estes publicados pelo New York Times, também este domingo.

As manifestações deste domingo tiveram o seu epicentro num centro comercial, o New Town Plaza, na zona norte de Hong Kong. De acordo com o jornal local South China Morning Post, os protestos começaram de forma pacífica e até, por vezes, brincalhona, mas rapidamente evoluíram para a destruição de várias lojas, sobretudo aquelas cujos donos são da China continental. Foi o caso das que pertencem à cadeia Maxim’s — a filha do dono, James Tak Wu, tinha criticado os manifestantes no mês passado e defendido a reação policial.

Da destruição de propriedade, passou-se às agressões. Vários manifestantes envolveram-se em conflitos com transeuntes que não estavam a participar nos protestos. Num dos casos mais graves, dois homens ameaçaram os manifestantes com uma garrafa e acabaram por ser atacados com paus de bambu e uma cadeira de ferro. Um agente da polícia foi também agredido e os manifestantes tentaram tirar-lhe uma das suas armas, de acordo com a CNN.

Ainda dentro do centro comercial, uma bandeira chinesa foi pisada e pintada de preto, antes de acabar por ser atirada ao rio. O Governo já reagiu, dizendo que as ações desafiaram a soberania nacional e a Lei da Bandeira Nacional e Emblema Nacional. O South China Morning Post conta que um jovem de 21 anos foi detido na sequência do incidente.

Os protestos deste domingo são uma subida na escalada de tensão entre manifestantes e polícia. Ainda na sexta-feira passada, antes destas manifestações, um comandante da polícia afirmou que o “nível de violência” vivido pode levar ao uso de munições reais: “Os nossos agentes estão com receio de que o nível de violência tenha atingido um ponto tal que eles tenham de vir a matar alguém ou a ser mortos”, declarou o comandante, citado pela CNN.

As manifestações de domingo ocorreram no mesmo dia em que foi publicada uma investigação do New York Times que aponta provas de que numa manifestação de agosto vários agentes policiais à paisana, vestidos como se fossem manifestantes, agrediram violentamente outros manifestantes, sem razão aparente. Os homens agredidos foram detidos e como consequência das agressões tiveram múltiplas fraturas, perda de dentes e hemorragia cerebral.

Os protestos em Hong Kong duram há 16 semanas. Inicialmente provocados pela lei da extradição, o facto de a líder do Governo de Hong Kong já ter recuado na medida não fez com que as manifestações diminuíssem de tom. Uma das exigências feitas pelos manifestantes é a abertura de um inquérito à atuação das forças policiais durante estes protestos.