Líderes políticos dos 193 Estados-membros das Nações Unidas reúnem-se esta segunda-feira em Nova Iorque na Cimeira da Ação Climática, que pretende ser palco para anunciar compromissos e projetos concretos para o reforço do combate às alterações climáticas.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que convocou a cimeira, disse no sábado na Abertura da Cimeira da Ação Climática para a Juventude, associada à reunião de líderes políticos, que existe um “conflito sério entre pessoas e natureza” e acrescentou que o mundo precisa de um novo modelo de desenvolvimento, ligado às alterações climáticas, que garanta justiça e igualdade entre as pessoas, mas também uma relação boa entre a população e o planeta.

De acordo com António Guterres a Cimeira de Ação Climática desta segunda-feira, convocada para aproveitar a presença dos líderes que vão participar na Assembleia-geral da ONU, que começa na terça-feira, não vai produzir todas as soluções, mas pretende ser um ponto de inflexão e dar uma nova dinâmica e “impulso aprimorado” ao combate às alterações climáticas para que seja alcançado o objetivo de reduzir as emissões globais de gases com efeito estufa em 45% nos próximos dez anos e alcançar a neutralidade carbónica até 2050.

O secretário-geral da ONU sublinhou também que a Cimeira de Ação Climática pretende incluir a discussão de medidas mais drásticas para combater as alterações climáticas, como o fim de subsídios no uso de combustíveis fósseis e o aumento do preço a pagar pelas emissões de carbono.

Portugal estará representado na cimeira pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes.

A Cimeira da Ação Climática foi precedida no fim de semana pela Cimeira da Juventude, onde o debate foi conduzido por jovens ativistas como a adolescente sueca Greta Thunberg, que lançou o movimento “Greve Mundial pelo Clima” para denunciar a inação dos políticos em questões ambientais e para exigir medidas concretas e urgentes de redução de emissões de gases com efeito de estufa e de combate e mitigação das alterações climáticas.

No seu discurso no sábado, Guterres sublinhou que os conflitos políticos e geográficos acontecem há milhares de anos, mas a novidade é que as populações estão em conflito com o planeta e as consequências estão a atingir os mais vulneráveis.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, expressou orgulho, como português, em ver Portugal “na linha da frente” no combate às alterações climáticas e também em matéria de migrações e refugiados.

É para mim, como português, um motivo de particular orgulho ver que Portugal tem estado na linha da frente, quer em matéria de alterações climáticas, questão central do nosso tempo, quer em algo que me é particularmente querido, até pelo que fiz como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados”, afirmou.

No final de um encontro com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no seu gabinete nas Nações Unidas, em Nova Iorque, António Guterres elogiou também “a coragem, a eficácia e a extrema importância do contingente português na República Centro-Africana”.

Em circunstâncias particularmente difíceis, o contingente português tem sido precioso para que as Nações Unidas possam proteger os civis, com grupos armados muito agressivos, e tem revelado uma capacidade fora do normal e admirada por todos os outros países presentes nesse cenário”, considerou, numa declaração aos jornalistas, com Marcelo Rebelo de Sousa ao seu lado.

Segundo António Guterres, “a cooperação entre Portugal e as Nações Unidas é uma cooperação exemplar”. Em matéria de migrações e refugiados, o secretário-geral da ONU apontou Portugal como um exemplo, assinalando que “será o primeiro país a aprovar um plano de ação para o compacto das migrações”.

“Num momento em que, infelizmente, nós vemos tantas portas fechadas, vemos tanta falta de humanismo, esse exemplo de Portugal é extremamente reconfortante e muito importante para as Nações Unidas”, acrescentou.

Em seguida, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu a referência do secretário-geral da ONU à presença portuguesa na República Centro-Africana. “Portugal tem estado, semestre após semestre, ano após ano, a cumprir uma missão reconhecida por todos, antes de mais pelo povo centro-africano, mas depois por todos os países envolvidos nessa causa que é uma causa humanitária essencial para a pacificação naquela região de África. E é com orgulho que como Presidente da República Portuguesa e como Comandante Supremo das Forças Armadas registo aquilo que disse o senhor secretário-geral e que honra todos os portugueses”, disse.

Marcelo discursa esta segunda-feira em Nova Iorque

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa esta segunda-feira em Nova Iorque na Cimeira da Ação Climática, convocada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.

António Guterres pretende que sejam apresentados pelos participantes nesta cimeira planos concretos para cumprir os objetivos de redução de emissões de gases com efeito de estufa estabelecidos no Acordo de Paris.

Marcelo Rebelo de Sousa, que deverá falar cerca das 12h30 locais (17h30 em Lisboa), antecipou, na sexta-feira, em Viseu, que irá apresentar os compromissos já assumidos por Portugal para cumprir aquelas metas e defendeu que o país “está a dar um exemplo com o seu roteiro” para a descarbonização.

Além disso, adiantou que irá fazer um agradecimento ao secretário-geral da ONU pela sua ação em matéria ambiental e disse esperar que António Guterres “um dia seja reconhecido a vários níveis esse seu contributo a favor da paz”.

O Presidente português foi um dos mais 32 chefes de Estado e de Governo que, em vésperas desta cimeira, se juntaram num apelo à comunidade internacional e aos Estados subscritores do Acordo de Paris para que 2019 seja “o ano da ambição climática”.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou no domingo a Nova Iorque, para participar na Cimeira da Ação Climática e no debate geral da 74.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que tem início na terça-feira.

À margem do debate geral, Marcelo Rebelo de Sousa tem previstos vários encontros bilaterais, um dos quais hoje à tarde, com o presidente do Níger, Mahamadou Issoufou. Segundo a lista das Nações Unidas, o chefe de Estado português será o segundo a intervir no período da tarde de terça-feira do debate geral, depois do presidente de Angola, João Lourenço.

Na abertura, de manhã, o primeiro a discursar será o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, seguindo-se o presidente dos Estados Unidos da América, país anfitrião, Donald Trump, como é tradição.

Na terça-feira ao final do dia, Marcelo Rebelo de Sousa estará na habitual receção oferecida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, aos chefes de Estado que participam na Assembleia Geral da ONU.

Esta 74.ª sessão da Assembleia Geral da ONU terá como prioridades a paz e segurança, erradicação da pobreza, fome zero, educação de qualidade, ação climática e inclusão.

Na terça-feira, o Presidente da República irá intervir num evento sobre economia sustentável dos oceanos, copatrocinado por Portugal, e na quarta-feira falará na sessão de abertura de uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sobre o futuro da educação.