O presidente da Câmara Municipal de Lisboa defendeu, na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, que a capital portuguesa não se queixa de falta de poderes ou dinheiro para implementar um plano sustentável de ação climática. Segundo Fernando Medina, que falou num painel no âmbito da Cimeira de Ação Climática, da ONU, em Nova Iorque, o município de Lisboa dá o exemplo de trabalhar de acordo com as suas capacidades, sem se queixar sobre poderes ou dinheiro que não tem, tendo sido uma das 102 cidades do mundo a adotar o objetivo de zero emissões até 2050, num país que assumiu esse objetivo para todo o território.

O líder do executivo lisboeta disse à agência Lusa, à margem do evento, que o discurso sobre o combate às alterações climáticas tem de ser simplificado para os cidadãos, depois de declarar em frente à audiência internacional que não se trata de “ciência aerospacial” no que toca a garantir mais eficiência energética e o abandono das emissões de carbono na atmosfera.

Acho que nestas áreas há um discurso muito cifrado para os cidadãos. Mesmo o cidadão que está em casa a ouvir, que se preocupa com o clima, com o ambiente, com as emissões, muitas vezes são-lhe atiradas palavras mais complexas ou objetivos mais complexos”, disse Fernando Medina.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa considerou que encontrou boas reações às declarações que fez no painel da ONU para o qual foi convidado, onde apresentou o objetivo de zero emissões líquidas até 2050, através da manutenção e aumento dos espaços verdes e plantações na cidade, as medidas de incentivo de utilização dos transportes e o aumento da eficiência energética das casas e construções.

O autarca, que preferiu um “discurso simplificado” em vez de um discurso teórico, científico ou “hermético”, acrescentou que “nada disto requer uma grande tecnologia” —”Não estamos aqui a descobrir a pólvora e não precisamos de uma revolução tecnológica.”

“Há uma reação positiva quando as pessoas sentem que veem cidades a avançar”, salientou Fernando Medina, acrescentando que Lisboa inspirou-se noutras cidades para adotar medidas de sustentabilidade, como Viena, capital da Áustria, para o passe único. Medina falou domingo em Nova Iorque sobre as medidas e os bons resultados encontrados para a passagem de transportes individuais para coletivos, o cuidado com o consumo energético nas casas, através dos materiais de construção, equipamentos de aquecimento ou ar condicionado e passando pela plantação de mais árvores nas cidades.