Os Tesla Model S e X, bem como o novo Porsche Taycan, o Jaguar I-Pace, o Audi e-tron e o Mercedes EQC são excelentes veículos eléctricos alimentados por bateria, simultaneamente rápidos, espaçosos, cheios de gadgets e bem construídos. Contudo, são caros, o que desde logo afasta a maioria dos seus potenciais clientes. Para que os eléctricos se tornem mais populares é necessário que os seus preços não sejam superiores aos praticados pelas versões concorrentes a gasolina, o que de momento está longe de acontecer.

Veja-se, por exemplo, o caso da Renault. A marca gaulesa comercializa o Clio mais barato por cerca de 18 mil euros, um valor substancialmente inferior ao Zoe eléctrico, que exige um investimento de 32 mil euros, apesar de ter as mesmas dimensões e potência. Aliás, por este valor do modelo eléctrico, é possível adquirir o Clio RS, uma máquina ‘infernal’ com 220 cv, que até faz crescer água na boca dos condutores que gostam de se divertir ao volante.

Com a contínua redução do custo das baterias, os eléctricos têm vindo a tornar-se mais acessíveis. Não por serem mais baratos, em termos absolutos, mas por conseguirem oferecer baterias maiores pelo mesmo preço. Veja-se o caso mais uma vez do Zoe, que na versão anterior propunha por 32 mil euros uma bateria de 41 kWh, praticamente o mesmo valor que deverá ser exigido pela segunda geração do utilitário eléctrico, que vai passar a oferecer um acumulador com 52 kWh.

Mas o construtor francês sabe que o caminho para a melhoria da qualidade do ar que se respira, bem como da rentabilidade dos veículos eléctricos, passa pelo incremento da produção, pois só assim se conseguem reduzir os custos. Mas para que este crescimento de vendas tenha lugar, é forçoso diminuir o custo unitário dos modelos. Daí que o CEO da Renault, Thierry Bolloré, tenha prometido um eléctrico acessível dentro de cinco anos, um veículo que a marca pensa comercializar na Europa por cerca de 10.000€, menos de um terço do que actualmente pede por um Zoe. As declarações foram realizadas à Automotive News, que pode ver aqui.

Bolloré defende que “toda a gente está a trabalhar em veículos topo de gama, mas o que é necessário para que a mobilidade eléctrica se torne uma realidade é construir veículos a bateria acessíveis”, indicando que é esse o caminho.