O Bloco de Esquerda (BE) acusou esta segunda-feira, durante a Assembleia Municipal do Porto, o executivo camarário de ser responsável pelo “Porto estar a perder por falta de comparência” em matéria de combate às alterações climáticas.

“No momento crítico em que vivemos e numa matéria em que é tão fundamental o papel das autarquias, o Porto está a perder por falta de comparência”, denunciou o deputado Pedro Lourenço.

Durante a sessão da Assembleia Municipal, o deputado do BE afirmou “não existir um verdadeiro plano municipal para a mobilidade sustentável” e questionou o executivo sobre os dados de redução de emissões de CO2 (dióxido de carbono).

“Em 2008, no âmbito do parque dos autarcas, o Porto comprometeu-se com uma redução das emissões de CO2 em 45% até 2020 em áreas como a eficiência energética de edifícios, transportes ou a mobilidade”, lembrou Pedro Lourenço, afirmando “que tudo indica que o município do Porto não vai cumprir a meta” proposta.

“A nossa preocupação agrava-se porque em matéria de preocupações climáticas, as ações deste executivo são perfeitamente contraditórias“, acusou o deputado bloquista, aproveitando para sublinhar a “aposta” da autarquia na construção de “mega parques” de estacionamento no centro da cidade.

“Estamos em plena semana global do clima que culmina na próxima sexta-feira com a greve global e a câmara do Porto não se associou a qualquer iniciativa”, sustentou Pedro Lourenço.

Em resposta às acusações do BE, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira afirmou que o BE “conseguiu demonstrar que o populismo não é um monopólio da direita”.

“Não é com medidas folclóricas que isto se resolve, não é com fins de semana arco-íris. Nós não temos uma política no ambiente e de sustentabilidade que seja folclórica”, disse o autarca, esclarecendo que entre 2004 e 2015, redução de emissões de CO2 foi de 26%.

Rui Moreira defendeu que o “clima não é propriedade de ninguém” e que se os deputados do BE “quiserem tomar medidas” que as assumam no parlamento.

“A nossa visão é que não pode haver sustentabilidade económica das cidades, se não houver planos para a mobilidade”, concluiu o autarca.

Ainda no decorrer da discussão sobre políticas ambientais, a deputada do PAN, Bebiana Cunha, questionou o executivo camarário sobre o abate de árvores sem “aviso prévio aos moradores” e a “morte da totalidade dos peixes no Jardim de Arca d’Água”.

Questão que mereceu a atenção do presidente da câmara do Porto, não em relação aos peixes, mas sim “às gaivotas”, animais que considerou “serem ratos voadores”.

“Sabe o que dá cabo dos peixes? Não são os trabalhadores da câmara, são as gaivotas. Se me deixar resolver o problema das gaivotas, eu resolvo”, concluiu.