Naquele que é já o seu terceiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o Presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou-se numa maneira descafeinada, referindo os atuais diferendos com a China e com o Irão para dizer que o objetivo dos EUA é chegar a acordos, sempre que estes respeitem os interesse dos EUA.

No início do seu discurso o Presidente dos EUA fez lembrar aos seus rivais que é seu o exército mais poderoso do mundo. “Os EUA gastaram mais de 3,5 bilhões de dólares desde que eu fui eleito, de maneira a reconstruir o nosso grande exército. Somos, de longe, o país mais poderoso do mundo. Esperemos que nunca tenhamos de usar esse poder”, alertou Donald Trump.

O discurso surge numa altura em que os EUA mantêm duas situações de particular tensão: o Irão e a China.

Quando ao Irão, Donald Trump disse que “o regime repressivo” de Teerão é “uma das maiores ameaças para as nações pacíficas. “O regime está a desbaratar a riqueza da sua nação, tal como o seu futuro, numa busca fanática por armamento nuclear e os meios para consegui-lo. Nunca podemos permitir que isto aconteça”, disse.

Atribuindo ao Irão autoria do ataque de 14 de setembro a duas refinarias sauditas, Donald Trump recordou que os EUA tornaram a subir as sanções contra o regime de Teerão. “Nenhum governo responsável pode subsidiar a lista de sangue do Irão”, disse o Presidente norte-americano, referindo que país presidido por Hassan Rouhani é “o maior patrocinador de terrorismo em todo o mundo”.

“Enquanto o comportamento ameaçador do Irão continuar, as sanções não serão levantadas”, disse. “Serão apertadas”, sublinhou.

Ainda assim, Donald Trump apresentou uma saída para o atual momento de tensões com o Irão, convidando o regime de Teerão a sentar-se à mesa para negociar. “A América está pronta para criar amizades com todos os que genuinamente queiram paz e respeito. Muitos dos amigos mais próximos da América de hoje em dia já foram, em tempos, os seus maiores inimigos. Queremos parceiros e não adversários.”

Outro assunto em destaque no discurso de Donald Trump foi a guerra comercial com a China. Referindo que a sua política se centra numa “ambiciosa campanha para reformar o comércio internacional”, Donald Trump referiu ue há “nações que agem em má fé”.

Especificamente sobre o caso da China, Donald Trump referiu que, depois da entrada do gigante asiático na Organização Mundial do Trabalho (OMT), em 2001, ficou provado que estavam “erradas” as teorias que previam que esse desenvolvimento iria “liberalizar” a economia chinesa e “fortalecer” as proteções comerciais e legais.

“Não só a China rejeitou adotar as reformas que prometeu, entrou numa batalha económica, depende de enormes barreiras comerciais e de grandes subsídios estatais, recorre à manipulação de moeda, fazem dumping de produtos, obrigam à transferência de tecnologias e promovem o roubo de propriedade intelectual”, disse.

Além disso, Donald Trump alertou para a situação em Hong Kong, referindo que “a forma como a China lidar com a situação dirá muito sobre o seu papel no mundo e no futuro”. Mas logo mostrou um ramo de oliveira em direção à China, referindo: “Estamos todos a contar com o Presidente Xi [Jinping], como um grande líder”.

“Os EUA não querem conflitos com nenhuma nação. Queremos paz, cooperação e benefícios mútuos para todos”, sublinhou.

Num discurso em que Donald criticou também a Venezuela, Trump encontrou ainda tempo e espaço no seu discurso para falar sobre a política interna. Sobre a imigração ilegal, a parte mais eloquente do seu discurso foi quando se dirigiu “a todas as pessoas que querem atravessar a nossa fronteira ilegalmente”.

Disse-lhes: “Por favor, oiçam estas palavras: não paguem a traficantes, não paguem a se coloquem em perigo, não coloquem os vossos filhos em perigo. Porque se se chegaram cá, não vão poder ficar. Serão imediatamente devolvidos aos vossos países e não serão libertados para regressarem ao nosso”.

Sobre a política da região americana, onde incluiu o próprio país, Donald Trump referiu que o socialismo é “o maior desafio que os nossos países enfrentam”.

“O que se passa na Venezuela demonstra a toda a gente que o socialismo e o comunismo não servem para ajudar os pobres e certamente não servem para promover o bem das nações. O socialismo e o comunismo servem apenas para uma coisa: manter o poder da classe dominante”, disse.

Numa afirmação dirigida ao debate que decorre no Partido Democrata, onde quase duas dezenas de candidatos disputam o lugar para poder concorrer contra Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020, o Presidente dos EUA disse: “Hoje, repito para o mundo a mensagem que tenho dito em casa: a América nunca será um país socialista.”

O tema do debate geral da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas é “Esforços multilaterais para a erradicação da pobreza, educação de qualidade, ação climática e inclusão”. Apesar disso, o discurso de Donald Trump não tocou em nenhum destes temas.