Mário Centeno diz querer tirar Portugal da cauda da Europa no que à dívida diz respeito. Durante uma iniciativa socialista, o ministro das Finanças e candidato a deputado considerou que descer a dívida abaixo dos 100% do PIB é “um enorme desafio”.

“Nós temos um enorme desafio do ponto de vista das contas públicas — já agora, para não fugir muito ao sítio do campo onde eu jogo — que é termos uma dívida abaixo dos 100% do PIB”, respondeu Centeno ao moderador do PS, quando questionado sobre qual seria “o maior desafio, desejo ou resultado” que gostaria de ver alcançado até 2023. Atualmente, a dívida pública ronda os 120% e a possibilidade de atingir 99,6% do PIB em quatro anos já está prevista no Programa de Estabilidade 2019-2023.

“Se o conseguirmos, sairemos definitivamente da cauda da Europa em termos da dívida pública, ficamos a jogar numa equipa ali no meio da Europa, que tem países como Espanha, França ou Bélgica”, continuou Mário Centeno, numa conversa de meia hora, em direto, que envolveu muitas metáforas sobre futebol.

Portugal tem “uma grande vantagem”, de acordo com Mário Centeno: “Nós, um pouco à imagem de Cristiano Ronaldo, vamos passar por eles com grande velocidade, porque eles basicamente estão parados neste processo”. “O Mário Centeno quer entrar na Champions?”, perguntou o moderador. “Exatamente, é esse o objetivo”, respondeu o ministro.

Mário Centeno garante ainda que a poupança de juros — mais de 4 mil milhões de euros de em quatro anos face à legislatura anterior — foi reinvestida no Orçamento do Estado, nomeadamente na saúde.

Relativamente às cativações, o candidato socialista sublinha que “não foram inventadas por este governo, são de dimensão reduzida, face ao total da despesa pública”, representando “menos de 1% de toda a despesa pública que é no início do ano sujeita a cativação”. “Quando temos objetivos muito importantes e que temos que cumprir, temos de recorrer a todos os instrumentos, limpinhos”, diz Centeno.

O candidato socialista diz ainda estar satisfeito pelo que foi feito pelo Governo na Caixa Geral de Depósitos. “Estamos muito orgulhosos de termos promovido a sua recapitalização da forma como foi feita, porque protegemos todas as poupanças e todos os depósitos — é um dos brilharetes desta legislatura”, considera o ministro.