Quase 15.000 turistas clientes do operador turístico britânico Thomas Cook, que anunciou falência na segunda-feira, já foram repatriados para o Reino Unido, informou esta terça-feira a Autoridade de Aviação Civil do país.

A entidade anunciou que conseguiu transportar em 64 voos para o Reino Unido 14.700 turistas dos 150.000 que se estima estarem fora do país .

Esta terça-feira, as autoridades britânicas esperam repatriar 16.800 pessoas em 74 voos, devendo o processo continuar nos próximos dias e até 6 de outubro.

A porta-voz da Autoridade de Aviação Civil britânica, Dairdre Hutton, disse esta terça-feira à BBC que a operação de repatriamento, considerada a mais importante desde a Segunda Guerra Mundial, teve um bom começo.

O objetivo é permitir que as pessoas em férias completem o seu descanso e sejam levadas para o Reino Unido na mesma data prevista para o seu regresso nas suas reservas.

É uma operação de duas semanas, principalmente porque as pessoas saíram para férias de duas semanas, por isso queremos que todos aproveitem as suas férias”, salientou Hutton.

Entretanto, as autoridades estão a avaliar a conduta dos executivos da empresa como parte da investigação sobre a falência do operador turístico, com 178 anos de história.

Depois do anúncio da Thomas Cook, 105 aviões ficaram em terra e 600.000 pessoas – das quais 150.000 são do Reino Unido – ficaram retidas em 51 destinos turísticos de 17 países.

A falência de Thomas Cook também afeta os seus 22.000 funcionários, 9.000 dos quais no Reino Unido.

O operador britânico Thomas Cook anunciou na segunda-feira a falência depois de não conseguir encontrar, durante o fim de semana, fundos necessários para garantir a sua sobrevivência, entrando em “liquidação imediata”.

A situação financeira da empresa afetou clientes que gozam pacotes de férias organizados pela operadora de viagens e que não conseguiram sair dos hotéis e resorts sem antes pagar a estada, apesar de já terem feito o pagamento à Thomas Cook.

A empresa tinha previsto assinar esta semana um pacote de resgate com o seu maior acionista, o grupo chinês Fosun, estimado em 900 milhões de libras (1.023 milhões de euros), mas tal foi adiado pela exigência dos bancos de que o grupo tivesse novas reservas para o inverno.

As dificuldades financeiras da empresa acumularam-se no ano passado, mas em agosto foram anunciadas negociações com o grupo chinês Fosun, que detém múltiplos ativos a nível mundial, nos setores de saúde, bem-estar, turismo (como o Clube Med), financeiro e até futebol (o clube inglês Wolverhampton Wanderers, treinado pelo português Nuno Espírito Santo).

Na segunda-feira, a Secretaria de Estado do Turismo portuguesa adiantou que há 500 pessoas afetadas no Algarve pela falência da Thomas Cook, citando dados da embaixada britânica.

O Governo português informou, através de um comunicado, que está a acompanhar os efeitos da falência do operador turístico Thomas Cook nos turistas e nas empresas nacionais, com particular atenção às regiões do Algarve e da Madeira.

Em relação aos turistas portugueses que tenham adquirido pacotes de férias da Thomas Cook, a secretaria de Estado do Turismo referiu que “foram já acionados os mecanismos de informação e apoio ao consumidor”.