A búlgara Kristalina Georgieva tornou-se esta quarta-feira a segunda mulher a ser nomeada diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou o Conselho de Administração da instituição em Washington.

Georgieva, 66 anos, era a única candidata ao cargo e beneficiou de uma mudança nos estatutos do FMI relativa ao limite de idade, permitindo que a sua candidatura fosse válida. O seu mandato no FMI terá uma duração de cinco anos e começa em 1 de outubro.

“Estou extremamente honrada de ter sido selecionada como diretora-geral do FMI e grata pela confiança que os membros globais do Fundo e do Executivo depositaram em mim. Quero prestar homenagem também a minha predecessora, Christine Lagarde, uma grande líder e querida amiga, que as suas visão e trabalho desmedido contribuíram tanto para a continuação do sucesso do FMI”, congratulou-se, em nota de reação publicada esta quarta-feira, Georgieva.

A carreira de Kristalina Georgieva mostra um longo percurso no Banco Mundial, para o qual entrou em 1993 como Economista Ambiental, tornando-se depois diretora para o Desenvolvimento Social e Ambiental da Ásia e da Região do Pacifico e mais tarde diretora com o pelouro da estratégia e políticas ambientais. Em 2004 foi nomeada para diretora para a Federação Russa, ficando baseada em Moscovo.

Mas foi no período entre 2007 e 2008 que Georgieva assumiu uma posição de maior destaque no Banco Mundial. Como diretora do Desenvolvimento Sustentável ficou como responsável última das políticas e operações de empréstimo para infraestruturas, desenvolvimento urbano e agricultura. Ou seja, supervisiona cerca de 60% de todas as operações de empréstimo do Banco Mundial. A partir daí foi apenas um pequeno passo até ao topo: vice-presidente entre 2008 e 2010 e secretária corporativa, servindo de interlocutora entre a gestão do Banco Mundial, o Conselho de Administração e os países “shareholders”. É apontada como uma das personalidades chave nas reformas de governo do Banco Mundial na sequência da crise financeira de 2008.

Em 2010 entrou nos palcos principais das instituições europeias. Primeiro como Comissária para a Cooperação Internacional e depois na pasta da Ajuda Humanitária e Resposta às Crises, no consulado de Durão Barroso à frente da Comissão. A partir de 2014, já com Jean-Claude Juncker a liderar os destinos do executivo comunitário, Kristalina Georgieva ascendeu a vice-presidente, com o pelouro do Orçamento e dos Recursos Humanos. Ou seja, era responsável pelo orçamento europeu (de 161 mil milhões de euros) e pelos 33 mil funcionários comunitários espalhados por todo o mundo.

Percurso não lhe falta. Também não lhe parece faltar apoio, ainda que não oficial. Segundo a imprensa especializada europeia e norte-americana, do país que tem coordenado os esforços para que a União Europeia apresente um nome consensual e forte à votação no FMI: França. Paris parece apostar na cartada geográfica: Georgieva provém da Europa de Leste, relativamente neutra face à guerra surda entre o Norte da Europa (que quer Djilsselbloem ou Rehn) e o Sul (que rejeita qualquer um deles).