O alerta das autoridades italianas surge numa semana marcada pela discussão em torno das alterações climáticas. Em Itália, várias estradas foram fechadas e cabanas evacuadas no maciço de Monte Branco, nos Alpes, depois de especialistas avisarem que cerca de 250.000 metros cúbicos de gelo podem colapsar do glaciar Planpincieux, no pico das Grandes Jorasses, segundo a BBC.

Segundo os cientistas, uma parte do glaciar está a cair a uma velocidade de 50 a 60 centímetros por dia. Como prevenção, o presidente da câmara de Courmayeur, Stefano Miserocchi, assinou na terça-feira um pedido de encerramento de estradas no Vale Ferret, localizado no lado italiano do Monte Branco. O governante garantiu que não há ameaça para as áreas residenciais ou estabelecimentos turísticos, mas as cabanas na montanha de Rochefort foram evacuadas como precaução.

“Estes fenómenos mostram mais uma vez como a montanha está a passar por um período de grandes mudanças devido a fatores climáticos e, por isso, está particularmente vulnerável”, disse Miserocchi.

Especialistas do governo regional de Valle de Aosta e da Fundação Montanha Segura (Fondazione Montagna Sicura no original) consideram que é impossível prever ao certo quando vai a massa de gelo colapsar. O maciço do Monte Branco é a cordilheira mais alta da Europa Ocidental. Possui 11 picos acima de 4.000 metros de altitude, em ​​França e em Itália, e atrai centenas de milhares de turistas todos os anos.

A decisão das autoridades italianas surge numa semana em que as alterações climáticas estão na ordem do dia. Esta quarta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório, segundo o qual, caso não sejam tomadas medidas urgentes para reduzir emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão derreter a um ritmo sem precedentes, elevando o nível dos oceanos com consequências para mais de mil milhões de pessoas.

O relatório foi divulgado depois de, na segunda-feira, a ONU ter juntado governantes de vários países e ativistas — entre os quais Greta Thunberg — em duas cimeiras sobre as alterações climáticas. Já no fim de semana passado, dezenas de pessoas fizeram um “funeral” ao glaciar Pizol, nos Alpes, que perdeu 80% do seu volume desde 2006 devido às alterações climáticas.

Há pouco mais de um mês, foram os islandeses a despedir-se do Okjokull, o primeiro glaciar da ilha a perder essa denominação. Para isso, organizaram uma cerimónia — que incluiu a primeira-ministra, Katrin Jakobsdottir — e descerraram uma placa em memória do glaciar, conhecido como Ok.