“Aproximar Portugal e a Europa de Leste através da cultura é um dos grandes objetivos deste festival. Normalmente as pessoas sentem a Europa de Leste como algo que está longe, mas está bastante perto”, começa por explicar André Lameiras, um dos responsáveis, em entrevista ao Observador. Pelos Balcãs, Bálticos, pelo pós-comunismo, o Beast Internacional Film Festival abre a porta a 21 países para mostrarem mais de 90 filmes, entre curtas e médias metragens, com uma duração até 60 minutos, realizados nos últimos dois anos e 100 eventos, entre workshops, oficinas, masterclasses e concertos.

Dividida em três eixos fundamentais — ficção, documentário e cinema experimental — a competição internacional apresenta uma seleção de 28 filmes de produção recente, centrados numa nova geração de realizadores. East Wave é a secção que mostra as primeiras obras de novos realizadores do leste europeu, no que toca ao documentário, um género forte nestes países, o festival selecionou trabalhos com “visões mais nítidas das múltiplas realidades culturais”. A competição encerra com uma categoria dedicada aos realizadores que contornam as regras básicas do audiovisual, criando as suas próprias experiências cinematográficas.

Depois da Polónia e Ucrânia, este ano o país em foco é a Lituânia e terá direito a uma programação especial, onde serão destacados novos talentos, escolas e festivais, homenageando a cultural cinematográfica contemporânea local. A proposta integra um tributo a Jonas Mekas, obras de Arunas Matelis e um ciclo que desenha as relações entre os países anteriormente ligados à União Soviética e as lutas de libertação do continente africana, intitulado “Cinegeografia Socialista”.

Também da Lituânia chega a realizadora em foco, Aiste Zegulyte, que conquistou a cena internacional com o seu mais recente documentário experimental “Animus Animalis (Uma história sobre pessoas, animais e coisas)”. Além deste, o programa do festival apresenta uma retrospetiva das suas curtas-metragens realizadas na última década.

A “Portuguese Abroad” é a secção programada pelo Cineclube do Porto dedicada a obras de realizadores portugueses a trabalhar fora do país, que irá exibir seis filmes de Rúben Sevivas, Salomé Lamas, Yuri Alves, André Guiomar, Francisco Carvalho e José Pando Lucas.

As sessões especiais do festival integram Queer Shorts, Animation Shorts e um VR Corner, que explorará novos formatos de narrativas, através dos avanços da realidade virtual e da relação do cinema com os videojogos, propondo um envolvimento direto entre o espetador e a obra. Nas atividades paralelas, o destaque vai para as masterclasses de entrada livre no Café Candelabro que incluirão uma conversa performativa com Kamila Kuc, “num debate em torno da relação entre a cinematografia africana e o leste europeu”, um olhar sobre a plataforma Monoskop, que “pretende criar uma rede de colaborações na área das artes, media e humanidades”, e uma discussão que “abre as portas aos contributos da identidade e cultura Romani em Portugal e na Europa de Leste”.

Há ainda uma seleção de filmes pensada para os mais novos e workshops onde os participantes vão poder fazer o seu próprio filme de animação e desenvolver técnicas de escrita, filmagem e edição. O Beast International Film Festival é organizado pela associação OKNA — Espaço Cultural e a sua 3ª edição acontece de 28 de setembro a 6 de outubro em vários espaços da cidade, como o Cinema Passos Manuel, a Casa das Artes, o Museu Nacional Soares dos Reis ou o Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.