A coordenadora do BE defendeu esta quarta-feira que a questão de Tancos “não deve ser um caso de eleições” porque “já decorre há bastante tempo”, escusando-se a fazer qualquer especulação uma vez que a acusação ainda é desconhecida.

O quarto dia de campanha oficial do BE começou com uma visita ao Mercado de Benfica, em Lisboa, no final da qual Catarina Martins foi questionada sobre se temia que o caso de Tancos contaminasse este período eleitoral e também sobre como via o envolvimento do nome do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que já declarou que “não é criminoso”.

“Este é um caso que não é de agora e portanto eu julgo que não deve ser um caso de eleições, até porque já decorre há bastante tempo. Como sabe a acusação ainda não se conhece e portanto eu não vou fazer qualquer tipo de especulação sobre essa matéria”, começou por responder.

Sobre o caso de Tancos, a líder bloquista quis apenas “repetir o que o Bloco de Esquerda disse sempre”, ou seja, que “a justiça deve fazer o seu caminho e deve apurar todas as responsabilidades e todas as consequências”. “Portugal é uma democracia e é assim que deve funcionar”, concluiu.

Já a líder do CDS, Assunção Cristas, evitou qualquer comentário às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa. “Nós estamos a tratar de eleições legislativas e não vou comentar mais este assunto”, disse.

Na terça-feira, em Nova Iorque, o Presidente da República reiterou nunca ter sido informado, por qualquer meio, sobre o alegado encobrimento na recuperação das armas furtadas de Tancos, e sublinhou que “é bom que fique claro” que “não é criminoso”.

A TVI noticiou nesse dia que o major da PJ Militar Vasco Brazão se referiu, numa escuta telefónica, ao Presidente da República, como o “papagaio-mor do reino”, que, segundo ele, sabia de tudo. Em declarações à TVI, o advogado de Vasco Brazão, Ricardo Sá Fernandes, afirmou que tal afirmação “não teve em mente atingir o sr. Presidente da República”.