A Polícia Federal brasileira cumpriu esta quinta-feira 15 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão nos estados do Ceará e Pernambuco contra membros de uma fação criminosa, suspeitos de envolvimento nos ataques registados no Ceará.

A operação, denominada “Torre”, visou desarticular lideranças da organização criminosa, que se encontravam em prisões, e que alegadamente são responsáveis pela ordem e execução dos ataques às torres de transmissão de energia elétrica na região metropolitana de Fortaleza, ocorridos em 1 de abril deste ano, bem como dos recentes ataques a veículos e estabelecimentos comerciais na capital do estado do Ceará.

“Segundo as investigações, as ações do grupo criminoso foram praticadas sob determinações de lideranças que se encontravam em prisões. As ordens eram planeadas por essas lideranças e executadas por outros integrantes da mesma organização criminosa que se encontravam em liberdade”, disse a Polícia Federal (PF) no seu site.

Além da PF, participaram também na operação o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), Departamento Penitenciário Nacional brasileiro (DEPEN) e Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará.

Segundo as autoridades, os investigados responderão pelos crimes de “dano, incêndio, participação em organização criminosa e outros que forem verificados ao longo das investigações”.

A nova onda de violência no Ceará chega esta quinta-feira ao sétimo dia, com pelo menos 75 ocorrências, de acordo com a imprensa local. Desde 20 de setembro que se registam ataques prédios públicos e privados, veículos particulares e de empresas e a autocarros. Devido aos incidentes, a frota de autocarros de Fortaleza foi reduzida e tem operado com escolta da Polícia Militar.

Segundo o secretário de Segurança Pública, André Costa, citado pelo portal de notícias G1, a recente onda de violência trata-se de uma reação dos presos ao “fim de regalias” nas cadeias do Ceará. No total, 257 presos foram transferidos de estabelecimento prisional de “forma preventiva e tática” para combater a onda de ataques. Dez chefes de fações envolvidos nos casos foram deslocados de prisões estaduais para federais.

Com uma população estimada em nove milhões de habitantes, estando entre os 10 estados brasileiros mais populosos, o Ceará, localizado no nordeste brasileiro, enfrentou em janeiro deste ano uma grave onda de violência, que culminou em cerca de 200 atos de vandalismo e na detenção de mais de 300 pessoas.

Nos últimos anos, o Ceará registou ainda um elevado número de homicídios, sendo que em 2017 alcançou um recorde para o estado, com 450 mortes violentas assinaladas em dezembro e 5.134 durante todo o ano, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Brasil.

No entanto, e apesar do violento início de 2019, o Ceará foi o estado com maior diminuição de mortes nos primeiros dois meses do ano, com uma queda de 57,9%.

Dados do “Monitor da Violência”, um trabalho do portal de notícias G1, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no início deste mês, revelam que no primeiro semestre de 2019 o nordeste brasileiro foi a região com a maior diminuição de homicídios, com uma queda de 27%.

O Estado nordestino do Ceará foi mesmo responsável por um quinto da redução dos homicídios no Brasil.