O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, pediu na quarta-feira, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), aos Estados Unidos e Europa para levantarem as sanções económicas ao país, apelidando-as de ilegais.

“Desde que tomei posse muito foi alcançado, como os indicadores [económicos] a recuperarem e com a estabilização do crescimento”, com a melhoria das políticas macroeconómicas e com “austeridade e disciplina fiscal”, afirmou Emmerson Mnangagwa na intervenção proferida no debate geral da 74.ª Assembleia-geral da ONU, que começou na terça-feira e decorre até 30 de setembro, com a presença de cerca de 150 chefes de Estado e de Governo, incluindo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Zimbabué “está em transição e a tentar ultrapassar o colapso económico, com uma moeda fragilizada devido às sanções económicas ilegais impostas ao nosso país”, sublinhou. O governo, assegurou, estabeleceu “uma plataforma política aberta” para todos os partidos debaterem reformas económicas e políticas.

Mnangagwa disse ainda que as sanções dos EUA e da Europa estão a “desacelerar o progresso” e a “punir os mais pobres e vulneráveis da sociedade”.

Os EUA e a União Europeia impuseram sanções há quase duas décadas devido às violações de direitos no país. Em agosto, os EUA colocaram na lista de sanções um ex-general do exército do Zimbabué que comandou as tropas acusadas de matarem seis civis, há um ano, durante as eleições.

Mnangagwa, que se legitimou depois de ganhar as eleições, em 30 de julho de 2018 – apesar de o seu opositor Nelson Chamisa, que lidera o Movimento Mudança Democrática (MDC) e perdeu as eleições, ter rejeitado o resultado eleitoral -, tem sido acusado de ter sequestrado mais de 50 críticos e ativistas este ano.

No início do discurso, Mnangagwa aproveitou para recordar o ex-Presidente do Zimbabué Robert Mugabe, que morreu aos 95 anos, no dia 6 de setembro.