O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, denunciou esta sexta-feira o terrorismo no seu discurso à Assembleia-Geral das Nações Unidas, mas evitou qualquer menção direta à situação na região de Caxemira disputada também pelo vizinho Paquistão.

Já esta semana, o chefe do governo paquistanês, Imran Khan, alertou para um possível massacre em Caxemira devido ao recolher obrigatório determinado pelo executivo nacionalista hindu de Modi, que também cortou as comunicações dos habitantes da região de maioria muçulmana.

“Pertencemos a um país que deu ao mundo, não a guerra, mas a mensagem de paz de Buda. É por isso que a nossa voz contra o terrorismo, para alertar o mundo para este mal, soa com seriedade e indignação”, disse Modi. A região de Caxemira já esteve na origem de duas guerras entre a Índia e Paquistão, duas potências nucleares.

A tensão entre os vizinhos rivais voltou a subir desde que, no início de agosto, Nova Deli anulou a autonomia constitucional da zona de Caxemira sob o seu controlo. O conflito resulta da partição do Império Britânico da Índia que deu origem a 15 de agosto de 1947 a dois Estados: a Índia maioritariamente hindu e o Paquistão muçulmano.

A parte indiana de Caxemira, o Estado de Jammu-Caxemira, que até agosto tinha um estatuto especial garantido pela Constituição, ocupa 222.200 quilómetros quadrados (um pouco menos que a Grã-Bretanha) e conta com quase 12,5 milhões de habitantes.

A parte paquistanesa tem uma área de 86.000 quilómetros quadrados e perto de 6,4 milhões de habitantes. Desde 1948, uma resolução da ONU prevê a organização de um referendo de autodeterminação em Caxemira, que se mantém letra morta face à oposição de Nova Deli.

Imran Khan deve dirigir-se igualmente esta sexta-feira à Assembleia-Geral e apoiantes e críticos da ação da Índia em Caxemira concentraram-se em frente à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos dois lados que resolvam as suas diferenças.