Donald Trump comparou a “espiões” os membros da Casa Branca que possam ter ajudado o denunciante a descobrir o pedido do presidente norte-americano à Ucrânia para investigar Joe Biden. “E quero saber quem é essa pessoa que deu ao denunciante a informação. Porque isto é perto de ser um espião”, pode ouvir-se Donald Trump a dizer numa gravação divulgada esta quinta-feira pelo Los Angeles Times.

Pode ouvir a gravação aqui em baixo.

O presidente dos Estados Unidos refere-se à carta de um whistleblower anónimo, que afirmou ter reunido indícios de que “o Presidente dos Estados Unidos da América está a usar o poder do seu gabinete para solicitar a interferência de um país estrangeiro nas eleições de 2020”: “Essa interferência inclui, entre outras coisas, pressionar um país estrangeiro para investigar um dos principais rivais internos do Presidente. O advogado pessoal do Presidente, Rudolph Giuliani, tem contribuído para este esforço. O procurador-geral Barr também parece estar envolvido”, pode ler-se no documento.

Nessa carta, o denunciante diz ter recebido essas informações de “vários funcionários do governo norte-americano”. São esses membros da administração Trump que o presidente norte-americano ataca na gravação: “Isto é perto de ser um espião. Vocês sabem o que costumávamos fazer nos velhos tempos quando éramos espertos, não sabem? Os espiões e a traição. Lidávamos com isso de forma um pouco diferente do que fazemos agora”, disse Donald Trump.

As declarações do líder norte-americano foram feitas durante um evento privado com diplomatas em Nova Iorque, no Hotel Intercontinental, afirma o Los Angeles Times, onde também estava Kelly Craft, embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU).

Numa referência ao facto de o denunciante ter afirmado que não ouviu o telefonema entre Trump e o presidente ucraniano, mas recebeu informações de vários membros da Casa Branca que assistiram às negociações, o presidente dos EUA acrescentou: “Basicamente, esta pessoa nunca viu o relatório, nunca viu a chamada. Ouviu qualquer coisa e decidiu que ele ou ela, ou quem raio seja que viu… São quase como um espião”, opinou.

A transcrição da chamada feita a 25 de julho entre Donald Trump e o presidente ucraniano Volodymr Zelensky, em que o norte-americano pediu que se abrisse uma investigação por suspeitas de corrupção ao antigo vice-presidente norte-americano e possível rival às próximas eleições nos Estados Unidos, foi divulgada na quarta-feira.

Nessa conversa, Donald Trump pede “um favor” a Volodymr Zelensky: investigar a passagem do filho de Joe Biden pela Ucrânia. “Fala-se muito sobre o filho de Biden, que Biden travou a acusação, e muitas pessoas querem descobrir isso. Por isso, se pudesse fazer qualquer coisa com o procurador-geral, seria ótimo”, disse o presidente norte-americano. E prossegue: “Seria muito importante que fizesse tudo o que poder, se for possível”.

O favor, no entanto, podia ter uma contrapartida. Poucos dias antes, Donald Trump tinha congelado a ajuda militar à Ucrânia, um aliado geoestratégico dos norte-americanos. Suspeita-se que essa ajuda militar só seria desbloqueada caso Volodymr Zelensky aceitasse investigar Joe Biden e o filho — embora tenha acabado por ser, depois de pressão do Congresso.

A denúncia feita pelo whistleblower afirma que a Casa Branca tentou esconder este telefonema, o que é suportado pelo facto de ele só ter sido divulgado quando Nancy Pelosi, a líder da maioria dos democratas na Câmara dos Representantes, anunciou pela primeira vez que apoia um impeachment contra Donald Trump: “As ações da presidência Trump revelaram factos indignos de que traiu o juramento das suas funções, de traição à nossa segurança nacional e de traição à integridade das nossas eleições”.