“Não tomo drogas, não tomo nada que não seja legal. Muitos atletas tomam substâncias legais como creatina, produtos com proteína, comprimidos ou suplementos para recuperarem mais rápido. Eu nem essas coisas tomo, apenas trabalho ao máximo e é mesmo assim, não tomo nada. Nem sei sequer o que essas coisas implicam ou o que envolvem para não estarem no livro das proibições e poderem dar alguma vantagem. Não tomo drogas, não tomo nada ilegal, trabalho muito e deixo que as qualidades que Deus me dê falem por elas próprias”.

Na antecâmara do momento decisivo dos 100 metros no Campeonato do Mundo, Christian Coleman, uma das maiores promessas americanas para medalha na especialidade a par do veterano Justin Gatlin, explicou à CNN que, apesar dos problemas que teve com a Agência Anti-Dopagem dos Estados Unidos (USADA), os mesmos se deveram apenas à falta de informações e avisos dos locais onde treina e pernoita – e três casos desses em menos de um ano podem motivar mesmo uma sanção, algo a que o velocista se conseguiu “safar” pouco tempo antes da competição em Doha por ter sido provado que um desses casos era mais antigo.

Em condições para disputar o Mundial, Coleman, de 23 anos, voou. Voou nas meias-finais, sendo o único a baixar da fasquia dos dez segundos, voou na final, onde ganhou com 9.76 bem à frente de Justin Gatlin (9.89), que há dois anos tinha batido o agora campeão do mundo em Londres, e do canadiano Andre De Grasse (9.90). Que é como quem diz, está encontrado um novo Usain Bolt. Que ainda está longe do recorde de Usain Bolt, que já leva dez anos (9.58). E que, dos 20 centímetros de diferença ao início da modalidade, tem pouco a ver com Usain Bolt.

Curiosamente, Coleman chegou à ribalta com uma história ainda hoje muito recordada: John Ross, um antigo elemento da Universidade de Washington, bateu o recorde de velocidade em 40 jardas nos testes de entrada para a NFL (Liga de Futebol Americano), fazendo 4,22 segundos. Foi então que, com muita bazófia à mistura, comentou que era mais rápido do que Bolt. Seria mesmo assim? O aluno da Universidade de Tennessee aceitou o repto de uma revista de desporto americana e desafiou a marca. Resultado: 4,12 segundos. E a prova que, apesar de sonhar desde miúdo com a NFL, Coleman estava mesmo talhado para brilhar como velocista.