Se dúvidas ainda existissem olhando para o atual ranking mundial, com a Irlanda a ultrapassar na antecâmara do Campeonato do Mundo a toda poderosa Nova Zelândia, o final do encontro dos All Blacks frente à África do Sul na abertura do grupo B dizia tudo em relação ao que se passaria a breve prazo: como os africanos tinham perdido com os bicampeões mundiais, teriam agora mais quatro jogos da fase de grupos com Namíbia, Itália e Canadá para assegurar o segundo lugar e preparar o encontro com a Irlanda. Mas o Japão tinha qualquer coisa para dizer.

Num Shizuoka Stadium novamente lotado, como tem vindo a ser hábito nos encontros deste Campeonato do Mundo  de râguebi, os anfitriões, que já em 2015 tinham causado a grande surpresa da fase de grupos em Brighton após vencerem a África do Sul por 34-32 na partida inaugural, voltaram a causar surpresa mas desta vez com contornos ainda mais históricos… ou “escandalosos”: os irlandeses, que chegaram ao Japão apostados em quebrar a série de seis participações seguidas sempre a cair nos quartos, deixaram-se surpreender pelos nipónicos na segunda parte e protagonizaram a primeira surpresa pela negativa, perdendo por 19-12.

E nada apontava nesse sentido, entenda-se: depois de um início com muito estudo pelo meio, um ensaio de Garry Ringrose sem conversão deu o mote para uma primeira parte com muito mais Irlanda, que conseguiu ainda mais um ensaio por Rob Kearney com conversão de Jack Carty que dava pouco depois dos 20 minutos uma vantagem de 12-3 aos comandados do neozelandês Joe Schmidt, atenuada por duas penalidades de Yu Tamura.

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No segundo tempo, tudo mudou. E basta pensar que a Irlanda não fez um único ponto até ao final do encontro, ficando um total de uma hora sem marcar sequer uma grande penalidade, num eclipse aproveitado da melhor forma pelo conjunto da casa: Kenki Fukuoka, jogador que tinha falhado por problemas físicos o encontro inaugural com a Rússia, conseguiu um histórico ensaio a cerca de 20 minutos do último apito, Yu Tamura aumentou para 16-12 com a conversão e fechou de vez as contas a nove minutos do final com uma penalidade.

Nos outros encontros do dia, a Argentina ganhou a Tonga por 28-12 com três ensaios de Julian Montoya nos 25 minutos iniciais do jogo e subiu ao segundo lugar do grupo C, ao passo que a África do Sul cilindrou a Namíbia por 57-3 (31-3 ao intervalo) e passou também para a segunda posição neste caso do grupo B.