O primeiro-ministro britânico negou este domingo qualquer atuação irregular relacionada com a empresária norte-americana Jennifer Arcuri, que alegadamente recebeu dinheiro e tratamento favorável devido à sua amizade com Boris Johnson, quando este era presidente da câmara de Londres.

Durante uma entrevista na BBC, quando questionado sobre as suas ligações com a empresária e modelo, Johnson procurou sugerir que havia motivações políticas na base da decisão da autoridade regional de Londres de propor uma investigação ao regulador da polícia.

O caso surgiu devido a uma notícia no jornal Sunday Times, segundo a qual Arcuri recebeu 126 mil libras do erário público e acesso privilegiado a missões empresariais aos Estados Unidos, Israel e Ásia quando Johnson era o autarca de Londres, ainda que o seu negócio não tivesse cumprido os requisitos de elegibilidade para estas viagens.

“Tudo foi feito de acordo com as regras, e tudo foi feito com toda a propriedade”, respondeu Johnson e, quando questionado novamente, afirmou: “Não havia qualquer interesse a declarar”. O atual chefe de Governo participou em quatro ocasiões como orador convidado em representação da empresa de Arcuri e era amigo próximo da empresária, que visitava com frequência em sua casa, segundo o jornal.

O município de Londres informou no sábado ter solicitado à comissão independente de queixas da polícia (Independent Police Complaints Commission) uma investigação para verificar se a empresária Arcuri beneficiou da sua relação de então com o autarca.

Numa nota divulgada, o município de Londres, liderado pelo trabalhista Sadiq Khan, diz ter “informações de que um crime poderia ter sido cometido”, embora “isso não signifique de forma alguma que isso esteja comprovado”.