A defesa dos valores patrióticos demonstram “o sucesso na aplicação do princípio ‘um país, dois sistemas’, afirmou este domingo o chefe do executivo cessante, na cerimónia antecipada dos 70 anos da fundação da República Popular da China.

Na cerimónia do Dia Nacional da China, que se assinala na terça-feira, Fernando Chui Sai On reiterou que a difusão dos “valores nucleares do patriotismo e do amor a Macau” e a promoção do “crescimento das forças patrióticas e de amor a Macau” demonstram “o sucesso da aplicação do princípio ‘um país, dois sistemas'”.

“A preciosa e bem-sucedida experiência de aplicação do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau” deve-se à persistência na “defesa do princípio de ‘um país’ e no aproveitamento das vantagens dos ‘dois sistemas'” e com a elevação constante da capacidade do território, “sob a orientação e com o apoio do Governo central, o que contribuiu para a estabilidade e prosperidade de Macau”, disse.

Chui Sai On destacou a atual conjuntura económica “complexa e inconstante”, que “traz desafios, mas também oportunidades”.

Sob a influência de “fatores externos, a economia de Macau enfrenta, este ano, uma pressão de declínio”, o que leva o Governo a “acompanhar de perto as mudanças da situação económica, a antever os riscos económicos e a preparar-se ativamente para, em tempo oportuno, lançar medidas de resposta”, indicou.

O chefe do executivo cessante, que deixa o cargo em 20 de dezembro próximo, discursou ao lado do antecessor, Edmund Ho, que liderou o Governo entre 1999 e 2009, e do sucessor, Ho Iat Seng, eleito em 25 de agosto passado, bem como do vice-diretor do Gabinete de Ligação do Governo central em Macau, Zhang Rongshun.

Chui Sai On lembrou os últimos dez anos em que liderou o executivo do território, que este ano assinala o 20.º aniversário da transferência de administração de Portugal para a China, a 20 de dezembro.

“Nestes dez anos a economia de Macau registou grandes progressos. A taxa geral de desemprego tem-se mantido em 2%, ou em valor inferior, e a mediana do rendimento da população atingiu as 20 mil patacas” (cerca de dois mil euros), indicou o responsável, sublinhando que o território mantém “um superávit financeiro sustentado e uma sólida reserva financeira”.

O chefe do executivo da região administrativa especial chinesa acrescentou que “as despesas do Governo na área da educação, da medicina e saúde e da proteção social subiram de 13 mil milhões em 2009 para mais de 37 mil milhões de patacas no ano passado”.

“Continuamos empenhados em aumentar o bem-estar social e em garantir a partilha dos frutos do desenvolvimento económico pelos residentes”, disse.

Lembrou também as grandes estratégias chinesas Uma Faixa, Uma Rota’, a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e também a construção de ‘um Centro, uma Plataforma’ que contribuem para o crescimento do país e promovem “eficazmente, em várias vertentes, o desenvolvimento e o progresso de Macau”.

Lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” pretende reforçar as ligações e dinamizar o comércio entre várias economias da Ásia, do Médio Oriente, da Europa e de África, através do investimento em infraestruturas.

Com um orçamento inicial de cerca de 900 triliões de euros, a iniciativa conta com um arrojado plano de investimento em 68 países.

O projeto da Grande Baía pretende criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,2 biliões de euros.

Por último, Chui Sai On referiu que este é “o ano da mudança do Governo”, adiantando que o atual executivo “está a prestar toda a colaboração necessária” à nova equipa governativa “de modo a garantir uma transição ordenada e bem-sucedida”.

“Espero que continuem a promover a honrosa tradição do patriotismo e do amor a Macau”, referiu Chui Sai On, que na segunda-feira parte para Pequim, onde assistirá às comemorações dos 70 anos da implantação da República Popular da China (RPC).

Acompanha o chefe do executivo de Macau uma delegação de cerca de 150 pessoas.