O multimilionário Elon Musk revelou na madrugada deste domingo a nave espacial SpaceX desenhada para transportar uma tripulação e carga para a Lua, Marte ou qualquer outro ponto no sistema solar e regressar à Terra, aterrando perpendicularmente.

Num discurso transmitido por livestream a partir das instalações de lançamento da SpaceX, na ponta sul do estado norte-americano do Texas, Musk disse que nova nave – que designou como Starship – deverá partir dentro de um ou dois meses, atingindo os 65 mil pés, antes de voltar à terra. Musk falava num palco montado à frente da Starship, um enorme aparelho cónico com uma fuselagem em metal brilhante.

“O que é difícil de apreender – a um nível visceral – é que esta nave gigante vai fazer o mesmo que fez o Grasshopper. Esta coisa vai descolar, voar até aos 65mil pés – cerca de 20 km — e vai voltar e aterrar. Isto dentro de um ou dois meses”, disse Elon Musk.

O milionário norte-americano disse que a exploração espacial — à qual se tem dedicado cada vez mais — representa um acréscimo de “entusiasmo” de que o mundo precisa.

“Há muitos problemas no Mundo. São importantes e temos de os resolver, mas também precisamos de coisas que nos entusiasmem por estarmos vivos. Que nos façam ficar felizes por acordar de manhã. E que nos animem em relação ao futuro, que nos façam pensar: “O futuro vai ser fantástico”. A exploração espacial é uma dessas coisas”, salientou.

Musk recordou que a sua apresentação coincide com o 11º aniversário da primeira vez que a SpaceX atingiu a órbita terrestre. “Foi o nosso quarto lançamento, e se não tivesse sido bem sucedido, seria o fim do SpaceX”, confidenciou.

Sobre a forma como vai aterrar a Starship, Musk deu algumas explicações simples, comparando a manobra de reentrada ao movimento feito por um pára-quedista em queda livre.

“A Starship reentra e é controlada de forma muito diferente de tudo o que já existe. Na verdade ela cai, é uma queda controlada. Com o foguete estamos a tentar travar, a criar resistência em vez de sustentação. É o oposto de um avião, queremos o máximo de resistência que possamos produzir”, disse.

É óbvio que a nave também precisa de alguma sustentação, “especialmente quando estamos na atmosfera superior”. Mas quando começa a cair rumo à Terra “cai como um pára-quedista em queda livre. E controla-se a si mesma, vira-se e aterra”. “Assim”, exemplificou, fazendo com as mãos o gesto de uma nave a pousar perpendicularmente.

Também disse que a viabilidade das viagens espaciais depende da capacidade de reutilizar as naves espaciais. A Starship é completamente reutilizável, disse Musk. “A massa da nave (sem combustível) é de aproximadamente 120 toneladas. O protótipo inicial Mark 1 está mais perto das 200 toneladas, e a produção em série estará perto dos 120 toneladas”, salientou o milionário.