Espantalho, fantasma ou ‘sombras negras’. Até aqui a CDU tem alertado para a necessidade de, mais que reforçar a bancada no Parlamento, impedir que o país “ande para trás” caso caia nas mãos de um governo maioritário do PS. Este domingo em Matosinhos, Augusto Santos Silva — candidato do PS pelo círculo fora da Europa — apontou para o perigo de deixar os parceiros dos últimos quatro anos “com uma força desmesurada”. Jerónimo de Sousa parece ter ouvido o alerta do socialista e, num comício no Teatro Garcia de Resende em Évora, respondeu que “há quem agite o fantasma da instabilidade governativa”, através do exemplo “do país vizinho” com o objetivo de “insinuar a necessidade de uma maioria absoluta”.

“Há por aí grandes proclamações prometendo futuros risonhos e muitas palavras bonitas, jurando que jamais se voltará para atrás”, apontou Jerónimo concluindo com uma muito conhecida expressão popular: “de proclamações e de promessas não cumpridas — nas últimas quatro décadas pelas forças que governaram o país — se foi enchendo o inferno”.

Não com o inferno, mas com o teatro cheio, o “camarada Duarte”, num momento musical simbólico e de grande motivação para os apoiantes presentes, desafiou a plateia, afinada, “a mostrar a Portugal como se canta a CDU em Évora”. E, em Évora, a CDU canta música tradicional alentejana, naturalmente, e a muito conhecida ‘fui colher uma romã’ que, minutos depois servia também de mote ao deputado e cabeça-de-lista por Évora, João Oliveira, para descrever as aspirações da coligação.

“O grande resultado [eleitoral] está como a romã, madura para colher”. E isso basta? Se há coisa que a CDU não dá por garantidos são os votos, mesmo em terrenos tradicionalmente comunistas, os discursos repetem as ideias essenciais e recordam as conquistas que, por norma, os apoiantes conhecem e enumeram com orgulho. E por isso, João Oliveira disse que “era preciso esticar o braço para a colher” que é como quem diz, no dia 6, colocar a cruz na CDU.

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O secretário-geral recordou depois os eborenses que “cada voto na CDU em 2015 foi honrado” e que há medidas que foram concretizadas “depois de mais de 20 anos de luta e proposta” da coligação. Referia-se, claro, a uma das conquistas mais disputada entre PS, BE e PCP, os passes sociais. Mas ainda não é suficiente e a CDU quer que sejam “alargados a todo o Alentejo e ao país”, para que a “intermodalidade e a redução tarifária” cheguem a todo o país. A CDU defende a tendência para a gratuitidade do transporte público e, esta tarde em Évora, o secretário-geral do PCP explicou que o teto máximo nacional do preço dos passes mensais intermunicipais devia estabelecer-se nos 40 euros.

Jerónimo de Sousa não ignorou a direita. Acusou PSD e CDS de “descarada hipocrisia” quando “a primeira coisa que fizeram foi criticar a medida”. Não se esquece dos anos do governo anterior e diz que agora, PSD e CDS, tentam “fazer esquecer que chegámos a 2015 com os transportes públicos profundamente degradados”, mas há mais. Diz que quem “acena com o espantalho das novas crises” está a fazer uma “cópia do conhecido discurso do PSD e CDS”, discurso esse que deixou o Serviço Nacional de Saúde e os transportes “amassados no torniquete do défice zero”.

A somar às proclamações feitas “pelos outros” também a proposta feita “há uns meses quando se garantia uma nova perspetiva para a União Europeia que seria liderada por uma alegada frente progressista”. Afirmou Jerónimo que com esta nova perspetiva se anunciava um “novo oásis e o rejuvenescimento europeu”, mas que a aquilo a que se assistiu no final foi “um acordo de cavalheiros entre PS, PSD e CDS” para “entregar a batuta da orquestra da União Europeia à maestrina” que está “sob comando alemão” e que — antevê o PCP — “continuará a tocar a música do dogma do défice zero” que prejudicará “a vida dos povos”.