Há duas ilações extra final da Taça Continental de hóquei em patins que se devem retirar – e que não passaram ao lado de quem tem por hábito seguir a modalidade. Por um lado, o formato da competição, que confirmou um gap crescente entre os dois finalistas da Liga Europeia (o equivalente à Champions no futebol) e da WS Europe Cup (a Liga Europa, no mesmo paralelismo); por outro, mais uma prova de que há temas que superam e muito qualquer clube ou rivalidade, como aconteceu nas manifestações de solidariedade entre atletas e adeptos com Caio (ex-FC Porto que está hoje no Sporting) e Poka (ex-Sporting que está hoje no FC Porto).

Depois, veio o jogo. Um jogo que foi a reedição da última final da Liga Europeia e entre duas equipas que, apesar das mudanças no plantel (neste caso com os azuis e brancos a saírem mais desfalcados depois da saída de Hélder Nunes para o Barcelona), mantêm os treinadores e as filosofias, conhecendo-se na perfeição pelas partidas no Campeonato, na Taça de Portugal, na Liga Europeia ou até na Elite Cup, onde disputaram também a final deste ano em Portimão com triunfo dos dragões no desempate por livres diretos após o 2-2 no tempo regulamentar. O equilíbrio voltou a ser a nota dominante, com o triunfo a sorrir de novo ao Sporting no Pavilhão João Rocha (3-2) com um golo de livre direto a menos de dois minutos do final que valeu a primeira Taça Continental aos leões.

O encontro começou com as duas equipas mais preocupadas em nunca serem apanhadas descompensadas nas transições defensivas do que propriamente tentadas em inaugurar o marcador, cientes de que o clássico poderia voltar a ser decidido no erro adversário. No entanto, um cartão azul a Cocco (que motivou protestos por parte do banco dos azuis e brancos) deu ao Sporting uma oportunidade soberana para chegar ao golo que Xavier Malián tirou a Ferrant Font (5′), antes de travar também as outras tentativas em power play. Assim, seria necessário chegar quase a meio do primeiro tempo para ver o primeiro golo, numa grande investida de Gonzalo Romero lançado de trás até disparar um míssil sem hipóteses para o guarda-redes espanhol (11′).

Os leões voltariam a ter mais uma bola parada para aumentarem a vantagem, desta feita com Raúl Marin a falhar o livre direto após azul a Gonçalo Alves (18′), e seriam mesmo os dragões a fazerem a diferença neste tipo de situações com o reforço francês Carlo Di Benedetto a transformar um livre direto depois do cartão azul a Matías Platero (21′). Tudo apontava para que o 1-1 resistisse até ao intervalo mas os últimos minutos acabaram por ter bem mais movimentação do que se pensava, com Romero a fazer o 2-1 em mais um remate forte de meia distância sem hipótese para Xavier Malián antes de Di Benedetto falhar um livre direto após a décima falta dos leões.

O segundo tempo começou com uma toada semelhante à da primeira parte, com o Sporting a criar mais algum perigo em ataque organizado mas o FC Porto a espreitar qualquer oportunidade para sair rápido em busca da superioridade numérica, e com a ideia de que as bolas paradas poderiam ter grande importância na marcha do resultado e do próprio encontro – algo que se confirmou logo aos 25′, quando Cocco aproveitou a 15.ª falta dos verdes e brancos para, de livre direto, enganar Ângelo Girão e fazer o empate a dois.

Pouco depois, Pedro Gil foi o terceiro jogador da equipa de Paulo Freitas a desperdiçar um livre direto, desta vez pela décima falta dos azuis e brancos (29′), deixando em aberto uma final emotiva, muitas vezes com chances repartidas quando o jogo ficava mais partido e com o FC Porto a ter também outra soberana oportunidade para passar para a frente quando Cocco não conseguiu converter o livre direto pela 20.ª falta (45′), já depois de Romero e Di Benedetto terem colocado mais uma vez à prova Xavier Malián e Ângelo Girão. Ainda assim, a partida ficaria mesmo decidida de bola parada, com Raúl Marin a converter um livre direto por azul a Sergi Miras (48′).